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26/02/2010 - 15h52

Começa julgamento dos acusados de crimes contra intelectuais na ditadura argentina

Os acusados do desaparecimento de Héctor Oesterheld, criador do "El eternauta" - um clássico de história em quadrinhos de ficção científica, e ainda do escritor Haroldo Conti e do cineasta Raymundo Gleizer começaram a ser julgados nesta sexta-feira por crimes cometidos durante a ditadura argentina (1976-83).

Dois militares e cinco agentes penitenciários estão no banco dos réus para responder por 156 casos de sequestros e torturas no centro prisional clandestino de "El Vesubio", por onde passaram 2.500 opositores, a maioria desaparecidos.

O julgamento do caso de El Vesubio, um campo de concentração situado nas proximidades do aeroporto internacional de Ezeiza, é o quarto a ser realizado por crimes contra a humanidade na área metropolitana da capital argentina.

Oesterheld, que alcançou fama internacional com a publicação do gibi "El Eternauta" a partir de 1957 e criador de personagens como Sargento Kirk e Bukk Rocket, foi sequestrado em 1977 junto com suas quatro filhas, tornando-se um dos casos mais impactantes do terrorismo de Estado.

Um outro intelectual que passou por El Vesubio foi o escritor Haroldo Conti, cujo livro mais conhecido, "Mascaró, el cazador americano", ganhou vários prêmios, inclusive o da Casa das Américas (Cuba).

O cineasta Raymundo Gleizer, sequestrado em 1976, filmou, entre outros, o curta "Ni olvido ni perdón" sobre a matança de 19 presos políticos que tentaram fugir de uma prisão em 1972 durante a ditadura de Alejandro Lanusse (1970-73), um caso que também está em andamento em um tribunal.

Um dos responsáveis do chamado "Massacre de Trelew", o tenente aposentado do Exército, Roberto Bravo, foi preso nos últimos dias em Miami, onde mora desde 1977.

O julgamento pelos crimes em El Vesubio é o quarto que se desenvolve simultaneamente na área metropolitana de Buenos Aires, incluindo o que julga crimes cometidos na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o mais emblemático campo de torturas da ditadura, onde foram alojadas cerca de 5 mil pessoas, a maior parte desaparecida.

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