UOL Notícias Notícias
 

26/02/2010 - 14h54

Cuba: cinco opositores entram em greve de fome, em protesto contra morte de Zapata

Cinco dissidentes cubanos, quatro deles na prisão, iniciaram uma greve de fome, para protestar contra a morte do preso político Orlando Zapata, quem faleceu na terça-feira, informou nesta sexta-feira a Comissão Cubana de Direitos Humanos (CCDHRN), uma organização apenas tolerada no país.

Os quatro prisioneiros - Diosdado González (de 47 anos), Eduardo Díaz (58), Fidel Suárez (49) e Nelson Molinet (45) - estão reclusos na penitenciária de Pinar del Río, a 150 km a oeste de Havana -, precisou a CCDHRN em nota.

O ex-preso político Guillermo Fariñas, de 48 anos, jornalista independente, faz greve de fome em sua casa, em Placetas, na província central de Villa Clara, "negando-se, inclusive, a beber água" desde a noite de quarta-feira, diz o texto.

"Temíamos um efeito dominó, depois do falecimento de Zapata. A comissão de direitos humanos se opõe a esse tipo de protesto, em defesa do princípio de preservação da vida. No entanto, o governo de Cuba não responde humanamente a esta classe de protestos pacíficos", declarou o dissidente Elizardo Sánchez, porta-voz da CCDHRN.

González, Suárez e Molinet, que cumprem condenações de 20 anos de prisão, e Suárez, de 21, foram detidos em 2003, durante a operação Primavera Negra, quando foram detidos 75 opositores, acusados de servir aos Estados Unidos. A ação foi condenada mundialmente e provocou o congelamento das relações com a União Europeia.

"Os quatro chegaram a ser confinados em solitárias", disse à AFP o porta-voz da CCDHRN.

Sánchez mostrou-se especialmente preocupado com Fariñas, detido em várias ocasiões, estando em licença extrapenal por motivos de saúde. Ele já realizou 20 greves de fome, uma das últimas de vários meses para exigir a possibilidade de acesso à internet.

Zapata, de 42 anos, detido em 2003 e quem cumpria um somatório de 32 anos de condenações por desacato às autoridades, desordem e outras acusações, morreu terça-feira num hospital de Havana e seu corpo foi trasladado à cidade natal de Banes, na província de Holguín, onde foi enterrado quinta-feira.

Seu falecimento motivou a exigência de libertação de presos políticos por parte de vários governos. As autoridades de Havana recusam-se a admitir que existam em Cuba dissidentes presos, explicando que os detidos enfrentam acusações por atos cometidos contra a segurança do Estado e da população.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host