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01/03/2010 - 14h45

Em Concepción, moradores se queixam de falta d'água, comida e combustível

"Eles têm água, comida, cobertores, mas a polícia não nos deixa entrar", protesta um homem diante de um supermercado de Concepción, invadido uma hora antes por moradores em busca de produtos de primeira necessidade, dois dias depois do terremoto no Chile.

"Seria bom se distribuíssem as coisas, ou se pelo menos nos vendessem", declarou Carmen Norin, de 42 anos, enquanto que a polícia cerca a entrada do prédio com os vidros quebrados.

Reforços militares e policiais foram enviados para a segunda maior cidade do Chile, em razão do estado de exceção declarado no domingo pela presidente Michelle Bachelet nas regiões de Maule e Biobio, no dia seguinte ao sismo de magnitude de 8,8, que deixou 708 mortos, segundo o último registro.

Em Concepción, próximo do epicentro, um toque de recolher foi decretado de 21h00 às 06h00, pela primeira vez desde o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Pouco antes desse anúncio, centenas de moradores de Concepción haviam saqueado lojas.

"Lá, onde eles pilharam ontem, não sobrou nada. Invadiram os supermercados e as farmácias. Eles pegaram medicamentos para revendê-los", contou uma vendedora de 55 anos, que pediu para não ser identificada.

"A Prefeitura estabeleceu um local de distribuição de água em Biobio - a rádio local - para distribuir medicamentos e informações, mas precisamos de tudo, de pão, de leite..." acrescentou.

Diante da lentidão da chegada da ajuda - o envio por terra é prejudicado devido aos estragos causados nas estradas, várias pessoas continuavam nesta segunda-feira a invadir lojas em desespero

Do alto de um balcão de uma padaria, um homem distribuía latas de leite para as pessoas que se acotovelavam. Ao lado, alguns dividiam sacos de farinha.

E correram, em seguida, com a chegada de um caminhão equipado com jatos d'água, de um blindado e de duas viaturas de onde saíram dezenas de policiais equipados com capacetes, escudos, cassetetes e coletes a prova de balas.

As forças de segurança dispersaram rapidamente as pessoas, mas prenderam duas.

"Se forem alimentos básicos, leite, farinha, água, fraldas, a instrução é não prender as pessoas, porque tudo está fechado. Mas se for um televisor, eles vão prender", explica o inspetor Carlos Huerino.

Os primeiros militares chegaram no início da noite para garantir o toque de recolher, sob os aplausos de parte da população.

"É bom que eles venham, porque há muita desordem," considerou Carmen Norin. "Disseram que os presidiários escaparam da prisão de Manzano após um incêndio", contou a mulher de 55 anos.

Nas rádios, os ouvintes se queixam de roubos em suas casas abandonadas.

Eliecer Solar, chefe da Polícia local, considera que as forças de segurança ainda não estão presentes em número suficiente e pediu reforços.

Durante a noite, uma pessoa foi morta a tiros, mas nesta segunda-feira de manhã, a situação era de calma nas ruas de Concepción.

Na saída da cidade, cerca de 200 motoristas faziam fila num posto de combustíveis para abastecer.

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