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01/03/2010 - 19h58

França e Rússia selam aliança aproximando posições sobre o Irã

Os presidentes de França, Nicolas Sarkozy, e Rússia, Dmitri Medvedev, selaram nesta segunda-feira sua associação estratégica, com o apoio do Kremlin a um eventual reforço das sanções ao Irã por seu programa nuclear e a abertura de negociações para vender para Moscou navios de guerra franceses.

Depois de se reunir com seu colega francês, no começo de uma visita de Estado de dois dias à França, o presidente russo, Dimitri Medvedev, dirigiu ao Irã suas advertências mais severas até o momento.

"Nossos apelos (ao Irã) para que trabalhe em um programa pacífico sob o controle da comunidade internacional não deram frutos até o momento", disse Medvedev, durante coletiva conjunta com Sarkozy, em Paris.

Medvedev insistiu que para seu país as sanções são o último recurso, mas disse que se não houver avanços nas conversas com Teerã, "a Rússia está disposta, junto com seus parceiros, a considerar a aplicação de sanções".

"Estas sanções deveriam ser calibradas e inteligentes e não prejudicar a população civil", detalhou o presidente russo.

Esta é a primeira vez que a Rússia se diz claramente favorável a novas sanções contra o Irã. O Ocidente suspeita que o programa nuclear da República Islâmica visa ao desenvolvimento de armas nucleares, enquanto Teerã insiste em afirmar que seu programa nuclear é puramente civil.

Na área comercial, Sarkozy disse que ele e Medvedev abriram "negociações exclusivas" para a venda de quatro navios de guerra franceses a Moscou, um plano que nem a Otan, nem outros vizinhos da Rússia, como a Geórgia, veem com bons olhos.

Antecipando-se a críticas, o presidente francês defendeu o projeto de venda de armamento como um gesto de confiança para com a Rússia enquanto "parceiro estratégico".

"Como podemos dizer aos dirigentes russos: precisamos de vocês para fazer a paz, para resolver um certo número de crises no mundo, como a iraniana (...), mas não confiamos em vocês?", questionou.

Os navios em questão são os anfíbios "Mistral", capazes de transportar helicópteros, tropas e blindados, e inclusive abrigar um hospital.

Sarkozy afirmou que serão vendidos "sem equipamento militar".

Esta será a primeira transação de tecnologia militar avançada entre um membro da Otan e a Rússia, um detalhe que tem provocado rusgas entre alguns parceiros de Paris na Aliança Atlântica.

Em uma mostra de que as relações bilaterais são multifacetadas, Medvedev viajou para a França com uma importante delegação de empresários russos, como o chefe da gigante do gás Gazprom, Alexei Miller, o magnata do alumínio, Oleg Deripaska, e Mikhail Projorov, um dos homens mais ricos da Rússia.

Os dois presidentes deram luz verde à assinatura de dois acordos econômicos.

As companhias GDF Suez e Gazprom assinaram um protocolo de acordo que prevê que o grupo francês obtenha uma participação de 9% no capital do projeto de gasoduto North Stream, que levará gás russo para a Europa através do mar Báltico.

As duas partes assinaram um outro acordo segundo o qual o grupo industrial francês Alstom tomará uma participação de 25% na construtora de trens russa Transmashholding (TMH).

A visita de Medvedev, que celebra ainda os anos culturais da Rússia na França e da França na Rússia, tem uma dimensão simbólica. Nesta terça-feira, ele inaugurará, no museu do Louvre, a exposição "a santa Rússia".

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