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01/03/2010 - 10h27

Karadzic: causa dos sérvios da Bósnia é "justa e sagrada"

"Defenderei nossa nação e sua causa, que é justa e sagrada", declarou o ex-líder político dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic, no reinício nesta segunda-feira em Haia do processo por genocídio no Tribunal Penal Internacional (TPI) para a antiga Iugoslávia.

"Me encontro diante de vocês não para defender o simples mortal que sou, e sim para defender a grandeza de uma pequena nação na Bósnia Herzegovina, que teve que sofrer durante 500 anos, a república autoproclamada dos sérvios da Bósnia", declarou Karadzic.

"Defenderei nossa nação e sua causa, que é justa e sagrada", completou.

"Temos um caso sólido e evidência sólida", declarou.

Acusado de ter organizado uma "limpeza étnica" durante a guerra da Bósnia, que deixou 100.000 mortos e 2,2 milhões de desabrigados entre 1992 e 1995, Radovan Karadzic deve apresentar nesta segunda-feira as grandes linhas de sua defesa.

Karadzic é acusado de ter planejado com o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic a criação de uma 'Grande Sérvia', que teria incluido 60% do território da Bósnia Herzegovina. Um terço da população bósnia é sérvia.

Entre as acusações contra Karadzic figuram o massacre de Srebrenica em 1995, no qual morreram 7.000 homense e crianças muçulmanas, e o cerco de 44 meses da capital Sarajevo, que deixou 10.000 mortos.

"Este caso é o de um comandante-em-chefe que utilizou as forças do nacionalismo, o ódio e o medo para materializar sua visão de uma Bósnia separada etnicamente", afirmou o promotor Alan Tieger ano passado.

Mas Karadzic afirmou nesta segunda-feir que "nunca houve a intenção ou ideia, muito menos plano, de expulsar os muçulmanos e croatas da República Sérvia".

O ex-líder sérvio-bósnio acusou a "liderança muçulmana" de ter provocado a guerra ao ter promovido a criação de um Estado bósnio soberano e independente, e afirmou que os sérvios foram os que "fizeram concessões para preservar a paz e nunca consideraram que a guerra era uma solução".

Esta foi a primeira vez que o acusado, de 64 anos, compareceu a uma audiência do processo por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Karadzic boicotou as três primeiras audiências em outubro de 2009, sob a alegação de que não teve tempo suficiente de preparação.

Detido em julho de 2008 em Belgrado depois de passar 13 anos como fugitivo, Karadzic pode ser condenado a prisão perpétua.

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