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01/03/2010 - 18h29

Obama prepara "redução drástica" do arsenal nuclear dos EUA

O presidente americano, Barack Obama, prepara uma nova estratégia de Defesa que incluirá uma "drástica redução" do número de armas nucleares dos Estados Unidos, anunciou sua administração nesta segunda-feira, um ano depois do apelo do chefe de Estado para que o mundo se livre da ameaça nuclear.

A estratégia de Obama, que está sendo finalizada, "se inclinará a uma drástica redução das reservas (de armas nucleares), mantendo uma dissuasão sólida e confiável", explicou um alto funcionário que pediu para ter sua identidade preservada.

Segundo a mesma fonte, esta atualização da estratégia nuclear, a primeira desde 2002, "irá além das anteriores, ao incluir os objetivos de não-proliferação, entre eles a segurança nuclear e as etapas que o presidente desenvolveu em Praga", em 5 de abril de 2009, quando defendeu um mundo sem armas nucleares.

Ainda de acordo com o funcionário, o documento com a nova estratégia, que será apresentado ao Congresso em uma sessão a portas fechadas, "buscará um papel mais importante para as armas convencionais na dissuasão" e renunciará às armas atômicas "anti-bunker" que o governo anterior chefiado por George W. Bush queria.

De acordo com Obama, que convidou mais de 40 países à cúpula sobre segurança e não-proliferação nuclear, que Washington sediará em 12 e 13 de abril, a nova versão desta estratégia constituirá "uma importante medida para reduzir o número de armas nucleares e buscar chegar a um mundo sem elas", destacou o funcionário.

O jornal The New York Times, que na noite de domingo revelou as linhas gerais deste documento ainda em preparação, assegurou que se tentará reduzir "em vários milhares" o número de ogivas nucleares dos Estados Unidos.

Mas o jornal destacou que vários aspectos desta política estão sendo "debatidos acaloradamente no seio da administração" e que o secretário da Defesa, Robert Gates, submeteria estes pontos ao presidente Obama durante uma reunião nesta segunda-feira.

Obama tinha previsto em sua agenda um encontro com Gates esta tarde, embora a Casa Branca não tenha dado qualquer detalhe sobre a natureza da reunião.

Uma mostra da tensão no governo é que o exame da estratégia nuclear americana será apresentado no Congresso com dois meses de atraso.

Os defensores da desnuclearização pedem a Obama que o único objetivo da arma nuclear seja dissuadir uma potência nuclear de ameaçar os Estados Unidos. Segundo eles, a superioridade das Forças Armadas americanas no âmbito do armamento convencional tornaria a bomba atômica inútil em qualquer outro contexto.

Esta doutrina suporia, obviamente, a retirada de cerca de 200 ogivas nucleares táticas que Washington possui na Europa, uma medida que cinco países-membros da Otan (Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Noruega e Holanda) pediram em fevereiro.

Esta postura se opõe à da "dissuasão ampliada", que conclama os Estados Unidos a manterem ou estenderem seu "guarda-chuva nuclear" na Europa, na Ásia e inclusive no Oriente Médio.

"O crescente papel das armas convencionais", evocado pelo alto funcionário americano, se traduziria na elaboração de armas potentes, mas não nucleares, as chamadas "Prompt Global Strike" (de ataque mundial imediato), de acordo com o The New York Times.

Estas armas deveriam ser capazes de atingir qualquer parte do mundo no prazo de uma hora. Entre seus usos possíveis estariam, segundo o jornal, um ataque contra "a direção da Al-Qaeda nas montanhas do Paquistão" ou "um iminente lançamento de mísseis por parte da Coreia do Norte".

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