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01/03/2010 - 09h54

Zona mais afetadas por terremoto tem primeira noite de toque de recolher

A zona mais afetada pelo terremoto que abalou o Chile, com um saldo preliminar de mais de 700 mortos, teve a primeira noite de toque de recolher, decretado pelas autoridades após os saques e o desespero dos habitantes, que começam a sofrer com a falta de produtos de primeira necessidade.

O toque de recolher de nove horas teve início às 21H00 locais (mesmo horário de Brasília) em Concepción, que fica 500 km ao sul de Santiago, uma das áreas mais afetadas pelo tremor e que no domingo vivenciou muitos saques a grandes lojas e supermercados.

A polícia teve que intervir com gás lacrimogêneo e jatos d'água para dispersar as centenas de pessoas que invadiram os mercados para levar alimentos, além de outros produtos, como máquinas de lavar roupa e aparelhos de TV de plasma.

As cenas levaram a presidente Michelle Bachelet a anunciar que garantiria a entrega gratuita de todos os produtos de primeira necessidade nas zonas afetadas, em particular em Concepción.

Após o início do toque de recolher em Concepción, os militares foram mobilizados pela cidade e as ruas ficaram vazias. Apenas poucas pessoas ficaram do lado de fora de suas casas e, com medo de entrar, acenderam fogueiras.

Pelo menos 160 pessoas foram detidas durante o período do toque de recolher, anunciou o subsecretário do Interior, Patricio Rosende.

"Recomendaria aos delinquentes que não se metam com as Forças Armadas. Vamos agir com rigor, mas dentro da lei", afirmou no domingo o comandante militar da região, Guillermo Ramírez.

Este é o primeiro toque de recolher decretado no Chile 20 anos após a queda da ditadura de Augusto Pinochet.

"Não é roubo, é desespero", disse uma mulher na saída do supermercado Líder, no centro de Concepción, enquanto carregava caixas de leite e outras mercadorias nas mãos.

Na região vizinha de Maule, que registra a maioria dos mortos e desaparecidos, o toque de recolher não foi adotado, já que as autoridades consideraram a situação sob controle, segundo o general Bosco Pesse.

Nas partes costeiras de Concepción, um tsunami posterior ao terremoto provocou muitos danos, ainda não calculados pelas autoridades. O mesmo aconteceu nas cidades próximas de Talcahuano e Penco.

Em Penco, um cidade de 50.000 habitantes, algas marinhas ainda são vistas nas casas e postes, após a onda gigante que se abateu sobre grande parte da área costeira, arrastando móveis, enquanto em Talcahuano várias embarcações foram arrastadas até a frente de algumas casas.

"A onda chegou e levou tudo. Tinha, acho, seis metros de altura. Derrubou as casas, uma oficina mecânica e os restaurantes", contou à AFP Carlos Palma, ao mesmo tempo que percorria a costa de Penco para tentar alguns pertences.

Em Concepción, os bombeiros prosseguem com os trabalhos de resgate de 48 pessoas presas em um edifício inaugurado recentemente, cuja estrutura veio abaixo. Oito corpos já foram recuperados.

O terremoto, que aconteceu às 3H34 de sábado, tem um saldo parcial de mais de 700 mortos.

"Há um número crescente de pessoas desaparecidas e tenho a certeza de que estes números vão continuar crescendo", advertiu a presidente Bachelet, ao anunciar no domingo o último balanço oficial.

Quase 1,5 milhão de casas foram atingidas e meio milhão não têm recuperação.

Em Santiago, o aeroporto internacional voltou a operar após os danos registrados no terminal de passageiros.

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