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02/03/2010 - 12h12

Desespero é cada vez maior no sul do Chile

A vida se aproxima da normalidade na capital chilena três dias depois de um dos terremotos mais fortes da história, mas ao sul de Santiago o desespero das pessoas aumenta.

Enquanto a principal estrada do país, destruída pelo terremoto, serve de caminho para tanques e outros veículos militares enviados para conter os saques a casas e lojas em Concepción, que está sob toque de recolher noturno, muitos moradores desta e de outras cidades da região perambulam entre as ruínas.

Tendo como cenário as ruínas da igreja da cidade de Talca, 300 km ao sul da capital, matilhas de cães percorrem as ruas em busca de comida. As pessoas buscam refúgio em pequenas barracas montadas em estacionamentos ou em caminhos empoeirados.

Como em outras cidades rurais, o antigo centro de Talca veio abaixo em minutos quando o terremoto de 8,8 graus sacudiu a região no último sábado. Rua após rua as pitorescas casas de adobe, algumas de até um século de idade, desabaram. Estima-se em 95 o número de mortos na cidade.

Falta energia elétrica e a água é escassa para seus 200.000 moradores. Quase todas as lojas permanecem fechadas. "Estamos muito cansados e há réplicas todos os dias", disse um idoso que caminhava com a ajuda de um bastão.

A falta de água e de comida gera violentos saques em Concepción, que levaram a presidente Michelle Bachelet a mobilizar 7.000 soldados nesta cidade na segunda-feira para garantir um rígido toque de recolher.

"Precisamos das tropas, isto é um caos, as pessoas têm muito medo de sair", disse a prefeita Carolina Van Ristenberger.

A selvageria escandalizou a imprensa local, que transmite as notícias do terremoto durante o dia inteiro. "Não posso acreditar que isto esteja acontecendo em nosso país. O que o mundo dirá? Este vandalismo, esta delinquência, isto é o pior de nós", disse no ar um locutor de rádio.

Mas enquanto a televisão faz uma cobertura permanente mostrando as localidades destruídas, os saques a supermercados e as localidades litorâneas invadidas pelas águas, muitos chilenos oferecem a sua colaboração.

Em Curicó, 200 km ao sul de Santiago, uma rádio local superou a falta de energia instalando um gerador elétrico para estar em condições de pedir ajuda às pessoas sem teto e sem comida.

"Há uma onda de generosidade", disse o locutor Churro Rojas, da Rádio Tropical Latina. "As pessoas estão se reunindo para ajudar".

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