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03/03/2010 - 07h59

Ajuda alimentar começa a chegar a zonas devastadas

A ajuda alimentar começa a chegar de maneira lenta nas áreas devastadas, o que faz com que o governo tenha a esperança de reduzir a explosiva situação de violência, saques e descontentamento que o Chile vive desde sábado, quando o país foi abalado por um terremoto seguido de tsunami.

Militares, voluntários e funcionários civis começaram a organizar a ajuda alimentar, exigida pelos desesperados habitantes após a tragédia, que deixou quase 800 mortos.

Na noite de terça-feira a ajuda começou a chegar, com caminhões de mantimentos e água, e foi distribuída.

"A rede de distribuição está operacional e grande parte da ajuda começa a chegar", disse Carmen Fernández, diretora do Escritório Nacional de Emergências (Onemi).

No entanto, Concepción, uma cidade de meio milhão de de habitantes, 500 km ao sul de Santiago e epicentro da tragédia, ainda não havia recebido auxílio alimentar.

O desespero da população e a presença de aproveitadores gerou uma situação dramática de saques, o que obrigou a militarização da cidade e a aplicação dde um toque de recolher pela terceira noite consecutiva, ampliado a 18 horas entre a noite de terça-feira e o meio-dia de quarta-feira.

As autoridades esperam que nesta quarta-feira, com as ruas vazias, seja possível organizar a entrega de alimentos.

A medida de exceção também afeta outros seis municípios: Talca, Cauquenes, Constitución, Curicó, Molina e Sagrada Família.

Para manter a ordem nas duas regiões mais afetadas, o governo enviou 14.000 militares para controlar a situação.

Cenas de guerra são vistas em Concepción, com tanques posicionados em locais estratégicos e patrulhas com soldados armados percorrendo as ruas.

Mas diante dos saques e crimes, os moradores se viram obrigados a criar grupos de autodefesa, com barricadas e fogueiras. As armas são paus e pedras em muitos casos.

Cidades próximas a Concepción, como o porto de Talcahuano, afetado por uma tsunami, vivem no escuro e estão expostas a saques.

"À noite os vândalos aparecem em nossas casas, que estão expostas. Assim, juntamos tudo o que conseguimos e colocamos fogo fuego para nos aquecer e, assim, cuidar das coisas na porta de nossas casas", afirma Antonio González, morador da cidade portuária.

Se Concepción dá a sensação de isolamento, a situação parece ainda mais crítica nos balneários da costa do sul-centro do Chile, onde as ondas gigantes fizeram o maior estrago.

Pulluhue, Cobquecura, Dichato e Constitución são cidades que foram destruídas pela força da água e onde há mais desaparecidos.

Nas últimas horas a inquietação também aumentou a respeito das centenas de turistas que passavam os últimos dias de verão na região.

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