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03/03/2010 - 14h23

Constitución: um balneário chileno reduzido a ruínas

Na estrada que sai de Constitución, que sofreu o maior impacto da tsunami que atingiu o Chile, no sábado passado, pequenos grupos de pessoas acenam com pedaços de papelão, onde se lê: "precisamos de comida, precisamos de água".

"Temos medo de voltar lá, sentimos o mau cheiro dos cadáveres e as pessoas dizem que há risco de infecção", contou Bernarda Loyola, que fugiu para as colinas repletas de pinheiros sobre o popular balneário, quando sua loja de suvenires foi arrastada pelas ondas de mais de 10 metros.

Na cidade situada na região de Maule, 300 km ao sul de Santiago, helicópteros e caminhões militares acabam de trazer comida e água para distribuição, como já aconteceu em Concepción, mais ao sul, onde os saques violentos se multiplicaram por causa da penúria.

Com as armas automáticas a postos, duas dúzias de soldados vigiam o local, enquanto a organização americana de ajuda "Samaritans Purse" distribui alimentos para uma longa e silenciosa fila de pessoas.

"Quando as pessoas têm fome, geralmente há problemas. Veja o que aconteceu no Haiti", explicou o comandante militar, interrogado sobre o possível uso da força.

Quatro dias depois do forte terremoto e da tsunami que se seguiu, milhares de soldados se mobilizam para o centro do Chile, na maior parte tranquila, mas com bolsões de violência e vandalismo sem controle.

Pouco a pouco foram instalados toques de recolher nas principais cidades da região.

Famosa por suas praias e frutos do mar, a região contabiliza centenas de mortos ou desaparecidos, onde funcionários chilenos especialistas na investigação de crimes procuram por corpos na água que invadiu um local que antes era área de veraneio.

O cartaz que dá boas-vindas aos turistas de Constitución reflete a descontração que reinava no local, com guarda-sóis, barcos e o sol, mas no necrotério da cidade, um letreiro com o nome de 51 mortos revela a transformação ocorrida ali.

O chefe do exército na área de emergência disse à AFP que a medida que avançarem os trabalhos dos soldados e dos socorristas, o número de mortos pode chegar a mil.

"A força da tsunami foi terrível", disse o general Bosco Pesse. "A água avançou dois quilômetros sobre a terra em algumas regiões".

Quando a tsunami atingiu a costa, na madrugada de sábado, os restaurantes e bares à beira-mar de Constitución estavam lotados. Era o penúltimo dia de férias escolares e de verão e multidões foram à praia assistir aos fogos de artifício.

Situado ao pé de um penhasco e de uma grande formação rochosa chamada "Pedra da Igreja", o balneário tinha um passeio marítimo, espaço para jogos infantis, atrações e postos de venda.

Restam apenas mesas retorcidas, algumas xícaras de café, carros destruídos e uma massa de tábulas, pedras e postes de luz.

Pedaços de madeira colorida e pequenos montões de escombros agora ocupam o que era um espaço para jogos infantis. Restos de casas pendem de árvores no alto dos morros, a 30 metros do nível do mar. Um barco interrompe o trânsito de uma rua.

"Foi muito forte, não posso acreditar no que vejo", contou Miriam Fuentes, uma antiga moradora de Constitución.

Junto com dezenas de outras pessoas, ela caminha pelo balneário e tira fotos do cenário de destruição.

"A maioria de nós não teve coragem de vir até hoje (terça-feira), ainda temos medo de que outra tsunami ou outro terremoto aconteça. É uma tragédia ver este lindo lugar que amávamos transformado em área de desastre", acrescentou.

Em meio às ruínas do que foi o melhor restaurante do balneário, "El Marbello", a proprietária, Artillana Mancilla, de uns 50 anos, disse, em meio à poeira, que reconstruirá seu negócio e retomará sua vida.

"Tudo o que preciso é um pouco de ajuda do governo", pediu.

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