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07/03/2010 - 16h50

Nigéria em alerta após ataques, que já deixaram cem mortos

Pelo menos cem pessoas morreram neste domingo em ataques próximos à cidade de Jos (centro da Nigéria), cenário frequente de violência, e a cidade foi colocada em estado de alerta vermelho pelas autoridades.

Segundo testemunhas, ouvidas pela AFP, vários ataques de caráter étnico, aparentemente simultâneos, foram realizados contra habitantes de três povoados situados ao sul de Jos, entre eles Dogo Nahawa.

O presidente interino Goodluck Jonathan colocou o centro do país em estado de alerta vermelho após os sangrentos ataques, informou um comunicado oficial.

De acordo com testemunhas, os assaltantes seriam pastores da etnia Fulani, em geral nômades. Os ataques foram dirigidos às populações da etnia Berom, que costumam ter residência fixa.

"Mais de cem pessoas morreram" em um ataque feito na noite de sábado contra os habitantes do povoado de Dogo Nahawa, declarou à AFP uma fonte oficial, que pediu para não ser identificada.

"Houve um ataque em Dogo Nahawa e dezenas de pessoas morreram, em maioria mulheres e crianças, algumas com menos de um ano. Muitas casas foram queimadas; agora é um povoado fantasma", indicou a fonte, que trabalha no governo local do Estado de Plaetau.

"O governo espalhou as tropas pelo local para que a calma volte ao povoado", explicou.

Um jornalista contou 103 corpos "empilhados em Dohawa. Quando saímos do povoado, traziam mais cadáveres dos arredores", acrescentou.

O diretor médico do Estado de Plateau, Pam Dantong, mostrou à imprensa 18 corpos no necrotério da cidade. Segundo ele, outros cadáveres estavam sendo levados ao local.

Segundo uma fonte oficial, recentes informes de segurança afirmam que "fundamentalistas islâmicos" da região organizaram o ataque contra os Berom.

Cerca de 300 pessoas morreram em janeiro na região devido aos confrontos étnico-religiosos.

"Aparentemente estava tudo bem coordenado, porque lançaram os ataques simultaneamente. Atualmente há cerca de cem cadáveres. E pelo que eu pude ver, a devastação é enorme. Muitas casas foram queimadas", contou Shamaki Gad Peter, presidente da Liga de direitos humanos de Jos, uma organização local.

Peter, que ajudou os três povos em questão, informou que muitas vítimas foram atacadas com facões e queimadas.

Um morador Fulani de Jos, Yusuf Alkali, explicou à AFP que os ataques podem ser represálias a outro ataque cometido há quinze dias pelos Berom contra os Fulani, no qual morreram quatro pastores.

Em janeiro, enfrentamentos entre cristãos em muçulmanos, assim como a violência étnica, causaram 326 mortes em Jos e nas cidades próximas, segundo a polícia. Mas, de acordo com outro balanço realizado por fontes médicas, humanitárias, líderes religiosos locais e a organização Human Rights Watch, houve mais de 550 mortos em quatro dias de confronto. O exército declarou toque de recolher na ocasião.

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