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08/03/2010 - 11h37

Em 3 anos, 91% dos assassinatos ficam impunes na Venezuela; ONG critica politização da polícia chavista

O cenário se repete a cada segunda-feira no necrotério de Bello Monte, de Caracas. Às suas portas, um grupo de pessoas espera para recuperar o corpo de um pai, filho ou irmão, impotente ante um drama que cresce em meio à impunidade e que corrói a popularidade do governo Hugo Chávez.

Um roubo que termina mal, um tiroteio, um ajuste de contas ou uma bala perdida: os familiares contam suas histórias à imprensa, comprovando que a violência não conhece idade nem classe social em Caracas, onde a insegurança limita as horas de lazer e deixa as ruas desertas a partir das 10 da noite.

Há vários anos, o governo venezuelano não divulga cifras globais da violência, mas segundo dados extraoficiais, em 2009 foram assassinadas 16.047 pessoas no país ante as 14.800 em 2008 e as 4.500 em 1998.

Só na capital venezuelana foram registrados, ano passado, 140 homicídios para cada 100.000 habitantes, contra 18 crimes para cada grupo de 100.000, observado em Bogotá.

"Chávez entende que a violência é também uma luta de classes, um conflito de pobres contra ricos. Mas, na Venezuela, o que mais se vê são pobres matando pobres", declarou à AFP Roberto Briceño-León, diretor do Observatório Venezuelano da Violência (OVV), organização que fornece as cifras sobre a insegurança.

"Neste momento, as pessoas na Venezuela não têm motivos para deixar de roubar e assaltar e o governo crê que ocultando as cifras pode criar uma sensação ilusória de segurança", denunciou.

Segundo o OVV, nos últimos três anos permaneceram impunes 91% dos assassinatos.

Recentemente, o próprio presidente, que evitou referir-se à violência durante muito tempo, reconheceu que representava "ameaça à revolução bolivariana".

Segundo Briceño-León, um dos erros do governo vem sendo o de "politizar a polícia".

"A polícia nacional é chamada de socialista e bolivariana. Isto a faz perder legitimidade e força", afirmou, acrescendo que, além disso, esses funcionários são mal pagos, o que faz aumentar a corrupção.

Para Luis Vicente León, da consultora Datanálisis, a insegurança, somada à crise elétrica pela qual passa o país, a inflação e o desabastecimento, contribuíram para corroer, nos últimos meses a popularidade de Chávez que, pela primeira vez em anos, estaria abaixo de 50%.

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