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09/03/2010 - 18h23

Bachelet deixa governo com popularidade alta, apesar da crise e do terremoto

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, que entrega o cargo, nesta quinta-feira, a Sebastián Piñera, chega com 84% de popularidade ao fim de um mandato de quatro anos muito complicado, no qual precisou enfrentar a crise financeira e, especialmente, um terremoto devastador que arrasou duas regiões do país.

Carismática, considerada uma espécie de "mãe dos chilenos", esta médica pediatra deixa a presidência no auge da popularidade que, paradoxalmente, caiu na época das vacas gordas e depois, subiu vertiginosamente quando a crise econômica alcançou o Chile.

Alçada ao poder em 2006, após derrotar nas urnas o hoje vitorioso Piñera, Bachelet teve um começo cheio de tropeços, com protestos de estudantes de colégio - apelidados de pinguins, por causa da cor de seus uniformes -, que puseram em xeque o seu governo com um apelo por melhor educação.

A situação se complicou ainda mais para ela, que herdou o Transantiago, um sistema de transporte para a capital chilena que foi muito caótico em seu início. Na época, sua popularidade caiu para 35% - o pior índice de sua presidência -, mas revelou uma faceta que em seguida a ajudou: assumir a responsabilidade política pelos erros.

Todo o início de seu governo foi marcado por uma bonança econômica que lhe trouxe mais problemas que benefícios: Bachelet manteve uma disciplina fiscal para a época das vacas magras e quando a crise chegou, no fim de 2008, o Chile estava preparado.

Crescimento negativo, queda nas exportações... Todos os índices caíam, com exceção da popularidade da chefe de Estado, que subiu até chegar a 81% no final de 2009.

O crédito político, no entanto, não foi suficiente para endossar seu candidato presidencial, o ex-presidente Eduardo Frei e, assim, a direita voltou a vencer eleições depois de 50 anos.

Doze dias antes de deixar o cargo, um terremoto seguido de uma tsunami, que deixaram 800 mortos e desaparecidos, marcaram o final de sua presidência. Na ocasião, ela recebeu muitas críticas pela demora em enviar ajuda e em militarizar áreas onde os saques se generalizaram, mas ainda assim sua popularidade se manteve intacta, segundo pesquisa de opinião publicada nesta terça-feira pela empresa Adimark.

Para o cientista político Guillermo Holzmann, Bachelet "tem três grandes eventos negativos: o terremoto, o Transantiago e os 'pinguins'". Mas ele ressalta que "o positivo foi ter instalado a proteção social como agenda política com coisas concretas relacionadas às crianças, à terceira idade e às mulheres".

Com todo o governo de Piñera pela frente, Holzmann estima que a questão do terremoto pode novamente atravessar o caminho de Bachelet na próxima eleição.

"A situação pós-sismo a deixa com menos projeção para uma eleição presidencial porque o terremoto instala a reconstrução nacional como questão prioritária da agenda e, com isso, as lideranças políticas ficam limitadas à espera dos resultados da reconstrução", avalia, em declarações à AFP.

Segundo Holzmann, "ela se mantém intacta em sua projeção ao nível internacional porque mostrou capacidade de liderança internacional reconhecida por vários atores mundiais".

Para o analista econômico Carlos Salas, o que chama a atenção é que, apesar das críticas pela forma como lidou com o terremoto, a popularidade da presidente se manteve intacta, o que considera um capital importantíssimo frente à corrida presidencial de 2014.

Ter conseguido manter sua popularidade nestas circunstâncias "não é um fato menor porque, se confirmada esta percepção em futuras medições, a presidente teria superado uma prova duríssima para qualquer chefe de Estado que enfrentasse uma emergência tão grande".

Segundo Salas, "independentemente da tragédia, o resultado da medição feita pela Adimark seria um fato de grandes consequências para o jogo político a partir de agora".

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