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09/03/2010 - 14h07

Irmão do Papa alega desconhecimento de abusos sexuais em seu coral

Irmão do papa Bento XVI, o bispo Georg Ratzinger assegurou que nunca tomou conhecimento de denúncias de abusos sexuais que agora emergem no coral alemão que ele dirigiu durante 30 anos e se desculpou pelos castigos físicos a que foram submetidos os alunos.

"O problema dos abusos sexuais revelados agora nunca havia sido abordado", disse ao jornal Passauer Neue Presse, publicado nesta terça-feira, Georg Ratzinger, de 86 anos, que dirigiu entre 1964 e 1994 o célebre coral de meninos cantores de Regensburgo (sul).

"Nunca falamos deste tipo de assunto", reforçou o religioso.

Na última edição do semanário alemão Der Spiegel, o compositor Franz Wittenbrink, que foi aluno do Coral de Regensburgo até 1967, afirmou que inclusive um ex-diretor do estabelecimento havia abusado sexualmente de vários alunos.

"Todos sabíamos" e "não posso explicar como o irmão do Papa, Georg Ratzinger, não estava a par", declarou Wittenbrink.

O irmão de Bento XVI disse desconhecer, ainda, os castigos físicos infligidos aos alunos deste coral milenar por um diretor do internato.

"Se tivesse sabido da violência exagerada com que agia, teria dito algo", declarou, antes de acrescentar: "peço perdão às vítimas".

"Alguns alunos me contaram, durante turnês (do coral), como eram tratados (...), mas não me deram a entender que se devia fazer alguma coisa", acrescentou.

"Sabia que o ex-diretor (do internato) dava bofetadas muito fortes (...), inclusive por motivos fúteis", reconheceu Georg Ratzinger, embora tenha alegado que estas punições eram comuns nesta época nos estabelecimentos de ensino.

Agora, os castigos físicos são condenados mais duramente "pois as pessoas são mais sensíveis. Eu também", disse Ratzinger, que falou da "felicidade" que sentiu quando foram proibidos, em 1980.

"Respeitei estritamente esta proibição e me senti aliviado", disse o irmão do Papa.

Segundo Ratzinger, a "Igreja não foi a única que se calou" sobre os abusos sexuais e a violência na educação.

"A sociedade fez o mesmo", insistiu Ratzinger.

A ministra da Justiça da Alemanha, defende a indenização financeira às vítimas dos abusos.

"É preciso dar um sinal claro às vítimas, iniciando a discussão sobre uma indenização voluntária quando o prazo de prescrição legal já venceu", declarou Leutheusser-Schnarrenberger ao jornal Süddeutsche Zeitung.

Segundo a ministra, que na véspera criticou o Vaticano por ter dificultado as investigações sobre abusos sexuais nas escolas católicas, uma indenização "seria justa, embora o dano causado não possa ser compensado materialmente".

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