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10/03/2010 - 14h22

Voluntária espanhola libertada pela Al-Qaeda chega a Barcelona

A voluntária espanhola libertada nesta quarta-feira pelo grupo extremista Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), após passar sequestrada três meses no Mali, chegou a Barcelona (nordeste da Espanha), onde vive, comprovou a AFP.

Alicia Gámez, de 39 anos, integrante da ONG Barcelona Ação Solidária (BAS), foi capturada em 29 de novembro na Mauritânia e posteriormente levada ao deserto do Mali junto com outros dois companheiros, Albert Vilalta e Roque Pascual, que continuam reféns.

Gámez declarou, ao chegar ao aeroporto, que "os dois estão bem".

"Fomos bem atendidos (...), dentro das limitações duríssimas do deserto", explicou a voluntária, que disse sentir-se "muito feliz" por estar livre.

"Agora desejo descansar e ficar com a família", bem como ter "a tranquilidade de que preciso para me recuperar", acrescentou.

Gámez voou de Burkina Faso acompanhada da secretária de Cooperação espanhola, Soraya Rodríguez, e foi recebida, entre outros, pelo chefe de governo catalão, José Montilla, e pelo prefeito de Barcelona, Jordi Hereu.

A libertação da espanhola foi anunciada na manhã desta quarta-feira por uma fonte diplomática na capital do Mali.

Em um primeiro momento, também foi anunciada a libertação da cidadã italiana de ascendência burquinense, Philomene Kabouré, sequestrada em dezembro passado, na Mauritânia, junto com o marido, Sergio Cicala. No entanto, fontes próximas às negociações informaram que ela teria se recusado a ser libertada, preferindo permanecer ao lado do companheiro, de 65 anos.

"Continuamos as negociações para libertá-la", disse a fonte diplomática. "Eles não estão com o mesmo grupo e cada um tem suas próprias condições", acrescentou.

Nos últimos dias, pelo menos dois enviados do presidente burquinense, Blaise Compaore, estiveram no deserto do Mali na tentativa de conseguir a libertação de Kaboure.

"Eles fizeram de tudo para conseguir a libertação de todos os reféns, mas não foi possível", explicou uma fonte malesa próxima às negociações.

O AQIM havia demandado a libertação prévia de prisioneiros mauritanos em troca da segurança e da libertação do casal italiano, estabelecendo um prazo até 1º de março, que expirou sem a divulgação de mais notícias.

No último dia 4, o premier mauritano, Moulaye Ould Mohamed Laghdhaf, disse que seu governo se recusava a negociar com "grupos terroristas" ou trocar prisioneiros para assegurar a libertação dos reféns.

Semanas atrás, a imprensa espanhola reportou que o grupo terrorista havia pedido um resgate pela libertação dos três voluntários espanhóis em seu poder e o jornal El Mundo destacou que Madri estava providenciando o pagamento de cinco milhões de dólares (3,7 milhões de euros) para garantir a libertação dos reféns, mas a vice-primeira-ministra espanhola, Maria Teresa de la Vega, negou que qualquer resgate tenha sido pago.

Ela alegou não haver "nenhuma razão objetiva" para Gámez ter sido libertada e os outros dois voluntários, não.

"Isto às vezes acontece neste tipo de sequestro. Eles libertaram Alicia primeiro, embora nós gostaríamos que todos tivessem sido libertados ao mesmo tempo", disse De la Vega.

Um porta-voz da ONG Ação Solidária descreveu a libertação de Gámez como "o começo do fim do pesadelo".

"Estamos felizes com a volta de Alicia para casa, mas exigimos a libertação de Roque Pascual e Albert Vilalta, e que a agonia acabe, por fim", disse o porta-voz do BAS, Josep Ramon Jimenez, em entrevista coletiva.

Em 23 de fevereiro, um sexto refém mantido pelo grupo, o francês Pierre Camatte foi libertado dois dias depois de quatro islamitas terem sido postos em liberdade, como pedia a Al-Qaeda.

A ameaça feita pelos grupos terroristas na região do Sahel é levada muito a sério desde a morte do turista britânico Edwin Dyer, em junho de 2009, assassinado pelo AQIM após passar seis meses em cativeiro, depois que Londres se recusou a ceder à chantagem dos extremistas islâmicos.

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