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11/03/2010 - 12h03

Luto e ódio por massacres na Nigéria

Milhares de mulheres manifestavam nesta quinta-feira em Jos sua dor e revolta, quatro dias depois do massacre de cristãos por criadores de gado muçulmanos na região, enquanto o Exército respondeu às críticas negando a existência de falhas ou negligência de sua parte.

Vestidas de negro em sinal de luto, as manifestantes avançavam em direção à sede do governo regional do estado de Plateau.

"Estamos de luto por causa das crianças que foram assassinadas no domingo", declarou Rebecca Adiwu, enfermeira de 32 anos, quando ia ao local da manifestação, no centro de Jos, onde o trânsito estava paralisado.

"Choramos pela matança de inocentes", afirmou Helen Laraba, estilista de 26 años.

As manifestantes também protestavam contra o Exército, responsável há dois meses pela segurança do Estado de Plateau, mas que não foi capaz de impedir o massacre: "Queremos mais soldados!", pediam.

Dezenas de criadores de gado da etnia berom, majoritariamente cristã, foram assassinados na madrugada de domingo por criadores de gado da etnia fulani. As mulheres e as crianças foram as principais vítimas dos ataques que deixaram entre 109 e 500 mortos, segundo registros divergentes.

Em um discurso transmitido por rádio e televisão na quarta-feira à noite, o governador do Estado, Jonah Jang, pediu três dias de jejum e orações.

"Não podemos continuar assim, a violência não pode ser um meio de resolver os conflitos, devemos respeitar uns aos outros. É hora de perdoar e de fazer as pazes, (...) de reconstruir Plateau", disse Jang, que pertence à etnia berom.

No estado de Plateau são registrados regularmente episódios de violência entre comunidades, que disputam o acesso aos recursos naturais e ao poder, segundo os especialistas.

Criadores de gado sedentários cristãos e criadores de gado nômades muçulmanos vivem na região, situada entre o norte da Nigéria, região predominantemente muçulmana, e o sul do país, de maioria cristã.

Várias fontes locais indicaram que os ataques praticados durante o final de semana foram parte de uma ação em represália por outros ataques cometidos pelos berom contra os fulani em janeiro, quando cerca de 300 muçulmanos morreram na região de Jos.

Depois dessa onda de violência, o Exército nigeriano foi encarregado da segurança do estado de Plateau.

Mas a falta de reação frente à violência do final de semana foi criticada asperamente, entre outros, por sobreviventes do massacre, que afirmaram que os soldados intervieram apenas depois do fim dos ataques.

O governo de Jonah Jang também criticou os militares, acusando-os de terem ignorado os sinais de alerta que indicavam movimentos de grupos armados. Jang afirmou que o massacre poderia ter sido evitado.

O Estado-Maior do Exército respondeu na quarta-feira, considerando essas declarações "inoportunas e provocadoras" em um comunicado.

"O Exército afirma claramente que seu único interesse é a restauração da paz", indica o texto, que apresenta condolências às vítimas.

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