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11/03/2010 - 15h05

Morte de dissidente Zapata atiça tensões entre Cuba e a UE

Os parlamentares de Cuba reagiram nesta quinta-feira às críticas da União Europeia (UE), que condenou a morte do preso político Orlando Zapata depois de greve de fome.

A Assembleia Nacional de Cuba, formada por 640 deputados, reagiu "ofendida" à censura europeia, e divulgou para a imprensa uma declaração na qual rejeita a "imposição, a intolerância e a pressão, como norma nas relações internacionais".

Mais cedo, a câmara europeia havia condenado "duramente a morte evitável e cruel" de Zapata depois de uma greve de fome de 85 dias, alertando para o "fatal desenlace" a que se expõe o dissidente Guillermo Fariñas, que realiza o mesmo tipo de protesto há 15 dias.

Zapata, um pedreiro negro de 42 anos considerado "prisioneiro de consciência" pela Anistia Internacional, faleceu em consequência da greve de fome que começou em dezembro do ano passado, em protesto pelas más condições carcerárias, num fato que motivou a consternação internacional.

O presidente Raúl Castro e agora o Parlamento disseram que lamentavam o falecimento, e responsabilizaram os Estados Unidos.

"Este fato lamentável não pode ser utilizado para condenar Cuba sob a alegação de que poderia ter evitado uma morte", diz a nota da Assembleia.

A greve de Fariñas - psicólogo e jornalista, de 48 anos - para exigir a libertação de 26 presos políticos enfermos, foi qualificada de "chantagem" inaceitável pelo diário oficial Granma, que o responsabilizou pelas consequencias.

Fariñas, um ex-militar das tropas de elite que lutou nos anos 80 em Angola, recusou as solicitações para pôr um ponto final em seu protesto feitas por dissidentes e diplomatas espanhóis, que lhe ofereceram asilo em Madri.

Cuba acusou a Europa de "profundo cinismo" por levantar o caso de Zapata quando "não cumpre os próprios compromissos" de ajuda ao desenvolvimento, o que afeta as vidas de crianças, além de "reprimir" imigrantes e desempregados.

"Não têm moral os que participaram ou permitiram o contrabando aéreo de presos, o estabelecimento de cárceres ilegais e a prática de torturas", diz a nota da Assembleia.

A polêmica parlamentar acontece num momento em que a Espanha, na presidência semestral da UE, tenta levar o bloco europeu ao diálogo com Cuba e fazer revogar a Posição Comum de 1996 - um impedimento, segundo o governo cubano, para normalizar as relações.

A Posição Comum condiciona a ajuda europeia a Cuba a mudanças democráticas. Alguns dos 27 países comunitários estão dispostos a revogá-la, enquanto esperam sinais concretos.

Também a pedido da Espanha, a UE cancelou, em junho de 2008, as sanções impostas a Havana pela condenação a 75 dissidentes, na primavera de 2003.

Em outubro de 2008, ambas as partes restabeleceram a cooperação e o diálogo político, uma relação que, no entender de diplomatas de Havana, poderia ver-se entorpecida.

"Condenação tão discriminatória e seletiva, só pode ser explicada pelo fracasso de una política incapaz de pôr de joelhos um povo heroico", diz o Parlamento cubano, ao assinñalar que a Posição Comum, assim como a lei americana Helms-Burton, que recrudesce o embargo, "não têm nenhum futuro".

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