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12/03/2010 - 09h48

Acusações de fraude marcam apuração de votos no Iraque

O partido do xiita Iyad Allawi, em acirrada disputa com a formação do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, segundo resultados parciais, denunciou nesta sexta-feira "fraudes flagrantes" na apuração dos votos das eleições legislativas no Iraque.
 

Raio-x do Iraque

  • Nome oficial: República do Iraque

    Tipo de governo: Democracia parlamentar

    Capital: Bagdá

    Divisão administrativa: 18 províncias e 1 região

    População: 28.945,569

    Grupos etnicos: Árabes 75%-80%, Curdos 15%-20%, Turcomanos, Assírios e outros 5%

    Religiões: Muçulmanos 97% (xiitas 60%-65%, sunitas 32%-37%) e Cristãos e outras 5%

    Idiomas: Árabe, Curdo (oficial nas regiões curdas), Turcomano (dialeto), Neo-aramaico e Armenio

    Fonte: CIA World Factbook 2009

Um alto funcionário da Comissão Eleitoral rebateu as acusações, afirmando que teriam motivações políticas, enquanto a Aliança do Estado de Direito (AED) de Maliki as qualificou de "exageradas".

"Há fraudes flagrantes e claras. Há pessoas que manipulam e modificam os números para aumentar os resultados a favor da coalizão do Estado de Direito", afirmou à AFP Intissar Allawi, candidata do Bloco Iraquiano e parente de Allawi.

"Foram encontradas cédulas de votação nas lixeiras em Kirkuk e todas eram a favor do Bloco Iraquiano", explicou Allawi.

"Primeiro os eleitores não encontraram seus nomes nos colégios eleitorais e agora modificam os resultados", insistiu a candidata, ligando os fatos à Comissão Eleitoral.

Iyad al-Kinani, funcionário da comissão, negou as críticas.

"Quando recebemos acusações e quando existem problemas, lacramos a urna e iniciamos uma investigação", disse à AFP.

"Estamos acostumados às acusações dos partidos políticos já que, ou não conhecem nossos procedimentos, ou não tiveram um bom resultado nas eleições e falam de fraude", explicou.

Mas a Comissão Eleitoral indicou que centenas de queixas foram apresentadas por candidatos em relação a irregularidades, sem revelar detalhes.

Os dirigentes do partido de Maliki negaram as acusações, que chamaram de "exageradas".

"Até o momento não soubemos de fraudes, manipulações ou pressões sobre os eleitores", disse Hassen Sneid, um candidato da AED.

"É a propaganda de alguns partidos. As eleições ocorreram em um ambiente bom e os resultados refletem realmente o ponto de vista do povo iraquiano", completou.

Os partidos de Allawi e Maliki lutam voto a voto, segundo resultados parciais que, entretanto, não podem prever um resultado final porque estão baseados em escassas porcentagens de votos apurados, e apenas em quatro províncias.

A AED está na frente em duas províncias xiitas do sul, em Najaf e Babilônia, depois da contagem de 34% dos votos nestas regiões.

Em Salaheddin e Diyala, duas províncias de maioria sunita ao norte de Bagdá, a coalizão de Allawi está na frente, após a apuração de 17% dos votos.

Os dois partidos alegam ter vantagem sobre os rivais.

"Segundo nossas estimativas, ganharemos entre 100 e 104 cadeiras no Parlamento", declarou Sneid.

Para Intissar Allawi, porém, é o Bloco Iraquiano que está na frente com 90 cadeiras, contra 75 da AED.

A disputa prevê um forte luta pelo poder e longas negociações para a formação de um governo, o que deve demorar meses.

Nenhum dos dois partidos que lideram a contagem de votos pode obter a maioria absoluta (163) das cadeiras no Parlamento, nem formar sozinho o próximo gabinete. Serão necessários difíceis acordos com outros partidos.

Quase 12 milhões de iraquianos votaram no dia 7 de março, desafiando os atentados que deixaram 38 mortos e derrotando a Al-Qaeda, que havia ameaçado de morte os que participassem das eleições.

 

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