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12/03/2010 - 14h56

Eleições regionais na França ameaçam Sarkozy com sério revés

As eleições regionais francesas, de 14 a 21 de março, podem se tornar um sério revés para o presidente Nicolas Sarkozy frente às presidenciais de 2012, se forem confirmadas as pesquisas de opinião que preveem a vitória da esquerda e a derrota da direita no poder.

Segundo várias pesquisas de opinião divulgadas nesta sexta-feira pelos institutos CSA e TNS-Sofres, no primeiro turno de domingo, a esquerda (socialistas e ecologistas) obteriam 44% contra 28% da União para um Movimento Popular (UMP, no poder).

Há semanas os institutos de pesquisa e a imprensa falam de uma "derrota anunciada" da direita, que poria fim à "política voluntarista" que Sarkozy deu andamento desde sua chegada à presidência, em maio de 2007.

Uma derrota da direita, que só controla duas das 26 regiões da França - a metropolitana e a ultramarina (Córsega e Alsácia, que poderiam mudar de nuance política) -, é sempre negativa para um partido no poder, destacavam. Sobretudo quando a taxa de popularidade de Sarkozy está em 41%, seu nível mais baixo, surpreendentemente 10 pontos abaixo de seu primeiro-ministro, François Fillon (51%).

O presidente "pode continuar reformando, pondo remendos em seus programas, mas é mais difícil com um nível de impopularidade ampliado por uma séria derrota nas urnas", advertiu o cientista político Jerome Fourquet.

Quarenta e cinco milhões de eleitores estão habilitados a votar nestas eleições, que elegerão mais de 1.800 deputados provinciais das assembleias regionais, encarregadas do desenvolvimento econômico, urbano e das áreas de transporte, cultura, educação e esportes.

A campanha, sem muito conteúdo ou debate, foi marcada por pesquisas e ataques mútuos, de costas às consequências da crise econômica na França, onde o desemprego atinge 2,7 milhões de pessoas (quase 10%).

Uma vitória socialista dará novo impulso a Martine Aubry no PS e a suas aspirações de ser candidata à presidência em 2012, embora também dependa da magnitude da vitória de sua eterna rival, Segolène Royal, que aspira à reeleição à frente da região de Poitou Charentes (centro) e mantém suas aspirações presidenciais.

Estas regionais poderiam transformar definitivamente o partido Europa-Ecologia no terceiro partido político da França. Sobretudo em virtude do seu resultado em Ile de France, que inclui Paris e arredores, a região mais rica da Europa nas mãos dos socialistas.

Passarão ao segundo turno de 21 de março as listas que conquistarem pelo menos 10% dos votos neste domingo, depois do que terão início árduas negociações. As listas que registrarem entre 5% e 10% poderão fundir-se com as que conseguirem mais votos.

A taxa de participação, que se prevê próxima de 50% (em comparação com os 65% de 2004), poderia prejudicar a direita e Sarkozy, que está no meio do seu mandato.

"Nicolas Sarkozy tem motivos para se preocupar. A falta de resultados frente ao desemprego, a melhora do poder aquisitivo e inclusive a segurança vacinaram o eleitorado, que agora não acredita nos milagres do voluntarismo sarkozysta", disse, esta semana, Paul Quinio, ao Libération.

Embora Sarkozy tenha assegurado nestes dias que "as consequências" destas eleições não repercutirão ao nível nacional, o analista antes sentenciava: "as regionais, isto é certo, marcarão o fim do 'sarkozysmo' triunfalista".

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