UOL Notícias Notícias
 

12/03/2010 - 08h55

Israel fecha Cisjordânia por temer violência

Israel fechou nesta sexta-feira por 48 horas a Cisjordânia ocupada em consequência do temor de episódios de violência, em uma reação ao novo estímulo do Estado hebreu à colonização.

O cerco estrito foi decidido pelo ministro da Defesa, Ehud Barak, por motivos de segurança, levando em consideração o risco de atentados.

A medida entrou em vigor à meia-noite de quinta-feira para sexta-feira e pode ser ampliada ao fim do prazo inicial.

As autoridades israelenses temem sobretudo o risco de incidentes em Jerusalém Oriental, onde a polícia mobilizou reforços e proibiu o acesso à Esplanada das Mesquitas aos homens com menos de 50 anos durante a grande oração de sexta-feira.

Na sexta-feira passada, violentos confrontos foram registrados na Esplanada, após a decisão do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu de incluir os dois santuários da Cisjordânia, o Túmulo dos Patriarcas em Hebron e a Tumba de Raquel em Belén, na lista do patrimônio nacional de Israel.

O Exército israelense cerca sistematicamente a Cisjordânia por ocasião de cada festa judaica. Esta é a primeira vez em dois anos que a medida é adotada sem ter como motivação qualquer celebração em Israel.

Desde a segunda Intifada, em setembro de 2000, a Cisjordânia está submetida diariamente a um fechamento de fato. Apenas milhares de palestinos são autorizados a cada dia a entrar em Israel.

A tensão aumentou durante a semana com a autorização do ministério do Interior para a construção de 1.600 casas em um setor árabe de Jerusalém anexado por Israel.

A medida, anunciada durante a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, foi considerada uma falta de consideração por Washington e afastou as perspectivas - já complicadas - de um reinício do processo de paz com negociações indiretas.

A Autoridade Palestina exige a anulação do projeto controverso, por considerar que constitui uma nova provocação e que impede qualquer negociação.

"Os americanos sabem perfeitamente que o presidente (da Autoridade Palestina, Mahmud) Abbas informou oficialmente que é muito difícil para nós sentar à mesa de negociações, diretas ou indiretas, sem que o projeto dee construção em Jerusalém Oriental seja anulado", declarou nesta sexta-feira à AFP o principal negociador palestino, Saeb Erakat.

Os palestinos estão irritados porque a autorização seguiu outras para projetos de colonização: 600 casas em outro bairro ocupado em Jerusalém Oriental e na colônia de Beitar Ilit, na Cisjordânia ocupada.

O governo israelense ressaltou que não pretende interromper os projetos, nem em Beitar Ilit, já em construção, nem em Jerusalém Oriental, por considerar que a parte oriental da Cidade Sagrada é parte integrante de Israel, apesar da oposição da comunidade internacional.

O gabinete Netanayhu se limitou a recordar que a expansão de Ramat Shlomo é um projeto de muito tempo, aprovado pelos governos anteriores.

Também destacou que a construção levará anos para começar, mas admitiu, diante dos protestos internacionais, que o anúncio das 1.600 casas foi particularmente inoportuno, no momento de visita de Biden.

No plano interno, Netanyahu continua sendo alvo de muitas críticas da imprensa, que apontou mais uma falha de seu governo.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,40
    3,181
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    2,01
    70.011,25
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host