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12/03/2010 - 14h14

Lula defende maior representatividade da ONU em entrevista à imprensa internacional

Em entrevista concedida a correspondentes dos jornais Haaretz, The Marker e da agência ANBA, antes de viajar ao Oriente Médio, no final de semana, o presidente Luiz Inacio Lula da Silva defendeu instituições multilaterais com mais "representatividade" para que suas decisões sejam respeitadas.

"Se a ONU tivesse a força de que precisa, poderia ser a grande articuladora do processo de paz no Oriente Médio. Da forma em que está hoje não pode, porque a composição atual do Conselho de Segurança já não representa a geopolítica do século XXI", destacou Lula.

"Acho que as Nações Unidas, se voltarem a ter representatividade, poderiam ajudar muito no processo de paz do Oriente Médio", opinou.

Precisa-se de "alguém que tenha neutralidade para falar a verdade aos israelenses, para dizer a verdade a palestinos, iranianos, sírios, e para quem queira ouvir a verdade. Eu, sinceramente, acho que falta um pouco disso nos organismos multilaterais", destacou o presidente de um país candidato a participar de forma permanente do Conselho de Segurança da ONU.

"Vejamos o que aconteceu em Honduras. A OEA (Organização de Estados Americanos) tomou uma decisão unânime condenando o golpe (de Estado de junho de 2008). E o que aconteceu? Nada! Os golpistas ficaram lá até terminar o mandato do presidente democraticamente eleito, em total falta de respeito ao fórum multilateral mais importante, a OEA", citou como exemplo.

"O mundo quer e exige instituições multilaterais que decidam e cumpram. Sem isso, a paz será muito mais difícil", concluiu.

Lula partirá domingo para a que será primeira visita de um presidente brasileiro a Israel e aos territórios palestinos. Também visitará a Jordânia, como parte de uma ofensiva diplomática que tenta posicionar o Brasil como um interlocutor no Oriente Médio.

Uma reportagem do jornal israelense Haaretz desta sexta-feira, assinada pelo jornalista Adar Primor, classifica o presidente Lula de "profeta do diálogo", pela defesa das negociações diplomáticas em busca da paz na região.

Mas observa que Lula foi um dos primeiros líderes mundiais a receber Ahmadinejad após as contestadas eleições iranianas de junho do ano passado e um dos cinco países que se abstiveram em uma votação na Agência Internacional de Energia Atômica pela condenação do Irã.

Com o título Profeta do diálogo, o texto está na capa da edição online do jornal.

O autor da reportagem participou de uma entrevista concedida pelo presidente brasileiro a dois jornalistas israelenses e um árabe, e diz que essa característica de Lula transpareceu até mesmo na hora de escolher quem faria a primeira pergunta: houve disputa de par ou ímpar.

A reportagem comenta que Lula se descreve como "um negociador, não um ideólogo", capaz de se relacionar ao mesmo tempo com Hugo Chávez e com George W. Bush, com o presidente israelense, Shimon Peres, e com Ahmadinejad.

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