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15/03/2010 - 15h04

Israel, acusado por Washington, contra-ataca e exaspera os palestinos

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que enfrenta a maior crise de confiança com Washington, em décadas, respondeu nesta segunda-feira às críticas dos Estados Unidos, ao afirmar que Israel "continuará a construir" em Jerusalém Oriental.

"A construção prosseguirá em Jerusalém, como foi o caso durante os últimos 42 anos", incluindo o setor de maioria árabe anexado em 1967, declarou Netanyahu ao grupo parlamentar de seu partido, o Likud (direita).

Este anúncio provocou uma resposta quase imediata dos palestinos, que advertiram que não negociarão sem que a colonização seja interrompida. "Esta política não criou a atmosfera apropriada para a retomada do processo de paz", declarou à AFP Nabil Abu Rudeina, porta-voz do presidente palestino.

O anúncio feito por Israel de um grande projeto de colonização em Jerusalém Oriental, em plena visita do vice-presidente americano Joe Biden na semana passada, desencadeou um mal-estar diplomático entre os dois aliados. Várias autoridades americanas criticaram duramente o projeto e o momento escolhido para o anúncio.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, em visita ao Cairo, considerou nesta segunda-feira que a decisão israelense "coloca em perigo" a realização de negociações entre israelenses e palestinos.

Para o embaixador de Israel em Washington, Michael Oren, citado pela imprensa, esta é a crise "mais grave em 35 anos" entre os dois aliados, quando os Estados Unidos exigiram de Israel uma retirada parcial do Sinai egípcio, ocupado, então, pelo Estado hebreu.

Netanyahu evita criticar abertamente o presidente americano Barak Obama e orientou seus ministros a evitarem se manifestar sobre o assunto.

Isto não impediu, no entanto, um ministro de seu partido, que não quis se identificar, de acusar o presidente Obama de "tentar derrubar o governo de Netanyahu" e de "explorar a crise para obter concessões de Israel no processo de paz", em entrevista ao jornal Maariv.

Nos Estados Unidos, o grupo de influência pró-israelense conhecido pela sigla AIPAC considerou em comunicado que as observações do governo americano "sobre as relações entre os Estados Unidos e Israel são assunto muito preocupante".

"É do interesse de nossos dois países resolver de maneira rápida este problema e estou convencido de que conseguiremos, como sempre conseguimos no passado", declarou à AFP o ex-embaixador de Israel em Washington, Zalam Shaval, membro do Likud.

Ele alertou para o risco de que as "críticas americanas muito duras em relação a Israel, destinadas a permitir um relançamento do processo de paz, tenham o efeito contrário levando os palestinos a serem ainda mais intransigentes".

Para o cientista político Eytan Gilboa, a crise de confiança "ocorre nos dois sentidos, já que Israel duvida da determinação do presidente Obama em pôr fim ao programa nuclear iraniano".

Netanyahu pode tirar proveito da "popularidade decrescente de Obama nos Estados Unidos, levando-se em consideração os seus fracassos no plano interior, principalmente entre o eleitorado judeu, que votou maciçamente nele", considera.

Por outro lado, outros analistas em Israel consideram que uma grande parte dos judeus americanos não está preparada para seguir o AIPAC em seu apoio incondicional a Israel.

"Estamos prestes a perder o apoio de toda uma ala do judaísmo americano, a esquerda moderada, que considera a política (de colonização) de Netanyahu provocadora", alertou nesta segunda-feira o Yediot Aharonot.

A situação permanece tensa na Cisjordânia ocupada, onde 10 estudantes ficaram feridos nesta segunda-feira, sendo dois a tiros, em confrontos com soldados israelenses.

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