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15/03/2010 - 17h45

Lula, em visita a Jerusalém, fala de paz no Oriente Médio

O presidente Luiz Inacio Lula da Silva disse "sonhar" com a paz no Oriente Médio, durante visita nesta segunda-feira a Jerusalém, a primeira realizada por um chefe de Estado brasileiro a Israel e aos Territórios palestinos. Lula efetua a visita no momento em que Israel vem sendo alvo de vivas críticas internacionais, após o anúncio de construção de 1.600 casas na Jerusalém Oriental anexada. O Brasil condenou esta decisão controversa.

"Senhor Peres, sonho com o dia no qual o Oriente Médio terá paz, para que todos os povos da região possam se beneficiar da prosperidade", declarou Lula, durante encontro com o presidente israelense Shimon Peres.

"Eu acho que o vírus da paz está comigo desde que estava no útero da minha mãe. Não me lembro do dia em que briguei com alguém", continuou o presidente.

Bem-humorado, Lula arrancou risos da plateia, inclusive de Shimon Peres, ao afirmar que no PT há divergências que causam inveja a qualquer um. "Já fiz muita disputa política, pertenço a um partido complicado. (...) Temos divergências políticas de causar inveja a qualquer pessoa do mundo", afirmou.

"A nós brasileiros não nos interessa sermos grandes e ricos, se estivermos cercados de pobres. Não é sensato do ponto de vista da geopolítica estar cercado de gente mais pobre que você de todos os lados", afirmou Lula.

Lula foi recebido nesta segunda-feira, com honras militares, pelo presidente Shimon Peres, reunindo-se, em seguida, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e a líder da oposição, a ex-chefe da diplomacia israelense, Tzipi Livni.

À tarde, pronunciou um discurso diante da Knesset, o Parlamento israelense, durante o qual exortou as duas partes a "superar antagonismos".

"O Estado de Israel deve viver ao lado de um Estado palestino. Deve haver uma coexistência", destacou.

"A deterioração das condições de vida dos palestinos favorece os extremismos e isso pode levar a um derramamento de sangue. Vou estar com os palestinos e eu os ouvirei", afirmou Lula, que deverá estar nesta terça-feira na Cisjordânia.

O discurso de Lula na Knesset e o jantar oficial foram boicotados pelo chanceler israelense, o ultranacionalista Avigdor Lieberman, que manifestou descontentamento pelo fato de o presidente brasileiro não ter depositado coroa de flores no túmulo de Theodore Herzl, o jornalista austríaco-húngaro, fundador do movimento sionista que levou à criação do Estado de Israel.

Funcionários brasileiros disseram que Lula não pôde fazê-lo devido, unicamente, à sua agenda apertada.

Fontes próximas a Lieberman - líder do partido de extrema direita de Israel disseram que Lula quebrou o protocolo da viagem, uma vez que a visita ao local "faz parte das regras de cerimônia e amizade entre nações".

O presidente do Brasil, país que participa como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, também defende o diálogo com Teerã, enquanto Israel procura isolar e conseguir a imposição de sanções radicais contra o Irã.

Já Netanyahu pediu ao Brasil que "se some à coalizão internacional formada contra o Irã".

"Esta coalizão reúne numerosos países que querem impedir o Irã de se dotar de arma nuclear", disse o premier israelense.

Lula, que está acompanhado de uma delegação de 80 empresários, iniciou domingo a visita considerada histórica a Jerusalém.

Ele participou o presidente Peres do sinal verde dado pelo Brasil ao acordo de livre comércio entre Israel e Mercosul, o mercado comum sul-americano. Israel é o primeiro país fora das fronteiras da América Latina a assinar um tal acordo com o Mercosul.

O presidente brasileino felicitou-se com o reforço dos liames econômicos bilaterais, marcados, principalmente, pela assinatura, nesta segunda-feira, de um acordo nos domínios da ciência, da segurança, da alta tecnologia, da agricultura e das indústrias espaciais.

Lula também conversou com empresários israelenses sobre as oportunidades de investimento no Brasil, citando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Copa do Mundo, as Olimpíadas, o trem de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e o Rio e as oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante a reunião de Lula com Peres foi discutida a possível participação do Brasil no processo de paz.

"Valorizou muito o papel do Brasil numa situação de ajudar a promover o diálogo. Peres achou que essa capacidade de fazer amigos com todos pode ser muito útil, mas ainda não era o momento de discutir detalhes", explicou Amorim.

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