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17/03/2010 - 16h00

Repressor da ditadura argentina ameaça tribunal que o julga por crimes contra a humanidade

O ex-capitão da Marinha Alfredo Astiz, repressor emblemático da ditadura argentina (1976-83), ameaçou nesta quarta-feira o tribunal que o julga por crimes contra a humanidade e acusou o governo de pressionar os juízes para condenar os militares que atuaram nessa época.

"Os juízes tentam se eximir de responsabilidade amparando-se em uma pretensa obediência devida, fato pelo qual deverão ser julgados quando voltarem a imperar as instituições da República", advertiu Astiz no banco dos réus ao desconsiderar a competência do tribunal e acusá-lo de ser pressionado pelo governo da presidente Cristina Kirchner.

O ex-marinheiro utilizou a expressão "obediência devida" para se defender das acusações, referindo-se aos magistrados que atuam após a anulação das leis de anistia durante o governo de Néstor Kirchner (2003-2007).

Ao se pronunciar pela primeira vez desde que começou o julgamento em dezembro, negou sem se estender as várias acusações, como o desaparecimento das monjas francesas Alice Domon e Leonie Duquet e de Azucena Villaflor, fundadora da entidade humanitária Mães de Praça de Maio.

Astiz, de 58 anos, chamado "Anjo Louro da Morte", acusou também Néstor Kirchner, marido da atual mandatária, de ter dado "um verdadeiro golpe de Estado" com a renovação da desprestigiada Suprema Corte em 2003, quando se multiplicaram os julgamentos por crimes políticos na ditadura.

Astiz e outros 16 militares são julgados pelos crimes cometidos na Escola de Mecânica da Marinha (ESMA), conhecido campo de extermínio da ditadura, por onde passaram cerca de 5.000 opositores e apenas dezenas sobreviveram.

O promotor Pablo Oubiña considerou no julgamento que Astiz fez "um pronunciamento político e que em momento algum se referiu aos fatos pelos quais é acusado".

Os familiares das vítimas se mantiveram em silêncio durante a audiência, apesar do tom desafiador e das ameaças proferidas pelo ex-capitão.

Cerca de 30.000 pessoas desapareceram durante o regime militar, segundo organizações de defesa dos Direitos Humanos.

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