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17/03/2010 - 11h04

Teerã disposto a trocar 1.200 kg de urânio de uma vez

O Irã está disposto a realizar uma troca, de apenas uma vez e em seu território, de 1.200 kg de urânio enriquecido a 3,5% por 120 kg de combustível enriquecido a 20%, anunciou Ali Akbar Salehi, diretor da Organização Iraniana de Energia Atômica, no que parece uma flexibilização da postura do país.

"Estamos dispostos a entregar a totalidade do urânio, mas com a condição de que a troca aconteça no Irã e de maneira simultânea", declarou Salehi.

"Estamos dispostos a dar 1.200 quilos (de urânio enriquecido a 3,5%) para receber simultaneamente 120 quilos de combustível enriquecido a 20% para o reator de pesquisas de Teerã", completou.

Esta é a primeira vez que o Irã se mostra disposto a uma troca, em uma única etapa, do urânio levemente enriquecido por combustível mais enriquecido, necessário para o funcionamento de um reator de pesquisas médicas em Teerã.

A questão das reservas de urânio é o grande obstáculo da polêmica entre Teerã e as potências ocidentais, que suspeitam de uma tentativa iraniana de desenvolver armamento atômico.

Para fabricar uma bomba nuclear é necessário combustível enriquecido a 90%.

"O Irã tem o direito de enriquecer urânio em até 100%, mas não vai fazê-lo porque não precisa", disse Salehi.

Segundo o último relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã tinha no fim de janeiro 2.065 quilos de urânio levemente enriquecido, do qual o país produz pouco mais de 100 quilos por mês.

O Irã recusou um projeto de acordo apresentado em outubro do ano passado com a mediação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O projeto previa que a entrega por parte do Irã à Rússia de 1.200 quilos de urânio enriquecido a 3,5% para o enriquecimento a 20%, antes de ser transformado pela França em combustível para o reator de pesquisas de Teerã, que fabrica isótopos para produtos médicos.

Teerã justificou a recusa com a afirmação de que o projeto de acordo não apresentava as garantias necessárias para a entrega do combustível.

Depois disso, o país apresentou uma contraproposta para um intercâmbio gradual.

Com a paralisação das negociações, o Irã começou a enriquecer o urânio a 20% em fevereiro, ao mesmo tempo que anunciou a disposição de interromper o processo se as grandes potências aceitassem a troca com as condições iranianas.

"O Irã propôs entregar urânio em lotes de 400 quilos, mas os países que devem produzir o combustível nos disseram que a produção desta quantidade não é interessante do ponto de vista econômico", afirmou Salehi.

Ele disse ainda que a AIEA poderia lacrar os 1.200 quilos de urânio para preparar o intercâmbio e ter o material sob controle até a troca.

As potências ocidentais, em particular Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, tentam impor novas sanções a Teerã, que seriam adicionadas às já adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU, pela falta de cooperação na questão nuclear.

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