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18/03/2010 - 17h37

"Damas de Branco": a oposição ao regime nas ruas de Cuba

- Vestidas de branco e segurando flores, as "Damas de Branco", mulheres e familiares dos 75 dissidentes cubanos presos em 2003, são a única oposição nas ruas de Havana ao governo de Fidel e Raúl Castro. Esta semana, elas lembraram com passeatas os sete anos dessas prisões.

O grupo iniciou suas atividades pouco depois das condenações de seus familiares a até 28 anos de prisão, acusados de servir a uma potência estrangeira (Estados Unidos), em uma detenção em massa que a dissidência batizou de "Primavera Negra".

As mulheres asseguram que não são um partido nem organização política, e que apenas pedem a libertação de seus familiares, cujas fotos muitas vezes são mostradas em suas camisetas brancas durante os protestos nos quais carregam flores.

O grupo não tem um número fixo de membros, mas sempre aparecem entre 20 e 70 mulheres, pois muitas moram nas províncias.

O governo as acusa de ser "ponta de lança" da subversão financiada pelos Estados Unidos, e as qualifica como "mercenárias", mas elas respondem: "ninguém nos paga, não somos mercenárias", assegura a líder Laura Pollán, que explica que isso faz parte da "intensa campanha promovida pelo governo para nos desarticular".

Pollán, mulher de Héctor Maseda, condenado a 20 anos de prisão, é professora de Espanhol e Literatura, mas abandonou seu trabalho em 2004 para atender as necessidades de seu marido na prisão e pedir sua libertação.

Outras, de Havana ou demais localidades, são donas de casa, economistas, jornalistas, camponesas, que também não trabalham e se reúnem habitualmente na casa de Pollán e, todo domingo, depois de assistir à missa na Igreja de Santa Rita, realizam uma caminhada silenciosa pela Quinta Avenida.

Em 2005, o Parlamento Europeu lhes concedeu o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos, o qual não puderam receber, pois as autoridades não as autorizaram a viajar. Um ano depois, foram agraciadas com o prêmio Human Rights First.

Em determinadas datas, elas realizam outras caminhadas silenciosas, entregando flores, a Declaração Universal dos Direitos Humanos ou objetos marcados com a palavra "liberdade" aos passantes.

Também já gritaram "liberdade" ao passar em frente a instituições como o Parlamento, ou recentemente, o Sindicato dos Jornalistas de Cuba.

Várias dessas passeatas foram repudiadas por simpatizantes do regime cubano, que vaiam, gritam consignas castristas ou as empurram. Por isso, um reduzido grupo de agentes de Segurança do Estado as acompanha, muitas vezes vestidos à paisana, para evitar violência.

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