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19/03/2010 - 15h32

Vítimas irlandesas de abusos sexuais esperam pedido de perdão do Papa

O Papa deve pedir perdão às vítimas irlandesas de abusos sexuais e admitir que a Igreja Católica ocultou deliberadamente as atividades de padres pedófilos, segundo um dos principais grupos de vítimas.

O One in Four (Um em cada quatro) expôs nesta sexta-feira o que gostaria que Bento XVI diga em sua carta pastoral aos católicos irlandeses sobre o escândalo dos abusos que abalou o país.

A carta, muito esperada, será divulgada neste sábado.

One in Four deseja que o pontíficie diga de forma "clara e inequívoca" que a Igreja, "em suas mais altas esferas", sempre teve conhecimento dos abusos sexuais contra menores por parte do clero.

Em sua versão da carta, One in Four afirmou querer que Bento XVI diga: "Fizemos uma política deliberada de acobertamento, de proteção de criminosos sexuais para evitar escândalos, sem consideração com a segurança das crianças".

"O escândalo é internacional e se estende muito além da Igreja irlandesa", acrescenta o grupo.

One in Four também quer que o Papa declare que a Igreja "silenciou padres corajosos e pessoas que ousaram revelar abusos sexuais endêmicos".

O Papa deve dizer que "sente profundamente", acrescenta o texto, e expressar arrependimento pela maneira como a Igreja tratou as vítimas que denunciaram os abusos.

O pontíficie precisa admitir que a Igreja adotou uma política "de confronto", que buscava "negar ou minimizar" as experiências das vítimas.

One in Four quer que Bento XVI respalde as denúncias de todas as acusações de abuso e admita que a Igreja se amparou no direito canônico para agir à margem das leis irlandesas.

O cardeal primaz da Irlanda, Sean Brady, também está no centro de uma polêmica, após a informação de que ele teria participado em 1975 de reuniões secretas, onde duas supostas vítimas de abusos sexuais assinaram um acordo de silêncio.

One in Four quer que o Papa reconheça "que todos os superiores da Igreja devam ser responsáveis pela cultura de segredo e de acobertação que existe" e que deverão renunciar caso sua conduta tenha colocado em perigo o bem-estar de crianças.

A Irlanda, um país predominantemente católico, foi abalado nos últimos cinco anos por três investigações judiciais, que revelaram abusos e maus-tratos por parte de clérigos, o último no fim do ano passado.

Desde então, foram denunciados outros casos na Alemanha, Suíça, Holanda, Itália e, inclusive, Brasil e Chile.

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