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21/03/2010 - 14h17

Católicos irlandeses encontram um pouco de conforto nas desculpas do Papa

Católicos irlandeses que assistiram às missas nas igrejas do país nesta manhã de domingo receberam com resignação a carta do Papa Bento XVI com desculpas pelos abusos de padres, esperando que ela permita virar a página de um passado traumatizante.

Na igreja de Nossa Senhora do Rosário de Harold's Cross, no sul de Dublin, fiéis acompanhados dos filhos jovens ouviram o padre Gerry Kane falar sobre a carta, na qual o pontífice expressa "vergonha" e "remorso" com os atos de pedofilia cometidos por religiosos irlandeses, mas sem entrar em detalhes, para não chocar as crianças presentes.

"Há muito sofrimento entre essas pessoas e estou satisfeito com a carta, muito mais acessível do que eu temia", disse o sacerdote à AFP, logo que terminou a missa.

"As pessoas vão refletir mais atentamente sobre a carta em suas casas", destacou.

A paróquia, situada num antigo bairro operário reúne cerca de 500 pessoas, mas apenas 10% são praticantes.

Eileen Keane, 45 anos, mãe de gêmeos de oito anos, não poupa as críticas. "Alguns da hierarquia da Igreja são hipócritas, olham-nos de cima", o mesmo não acontece com os padres mais simples".

"Muitas pessoas da minha idade perderam toda a ilusão", comenta Eamonn Bannon, 45 anos, um motorista de caminhão acompanhado da filha de 18 anos. "Não acho que as desculpas do Papa sejam suficientes neste momento. Os dirigentes da Igreja devem tomar medidas contra as pessoas que praticaram os atos (abusos) e não fazem."

"É preciso agir, não apenas falar", reclama ele.

Não longe dali, na igreja de St Paul of the Cross in Mount Argus, os fiéis, mais idosos, não tardam a fazer comentários.

"Estamos realmente decepcionados. Esperamos que a carta do Papa ajude", comenta Betty Redmond, uma aposentada. "O que aconteceu dá aos jovens uma desculpa para não ir à missa. E isso não pode acontecer."

"Não venho à missa por causa dos padres, mas para rezar, me sentir mais perto de Deus", explica Mary O'Connell. "A carta do Papa poderá representar uma renovação da Igreja, mas acho que as pessoas nunca estão contentes. Agrada a alguns e não a outros."

Thomas Pierce, um desempregado, é mais severo. A mensagem "chega muito tarde", estima.

"As pessoas, em particular os jovens, continuarão a se afastar da Igreja", diz ele. "Serão sempre os mais velhos que deverão encontrar forças para continuar; mas há alguns que vão desistir."

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