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21/03/2010 - 12h54

ETA fala de "mudança", não de renunciar à luta armada

O grupo separatista armado basco ETA se declarou "disposto" a "mudar", em comunicado divulgado neste domingo, em resposta aos crescentes apelos de seus representantes políticos ao fim da violência; mas se absteve mais uma vez de anunciar a deposição das armas.

Em declaração divulgada pelo jornal separatista basco Gara, a organização não menciona tampouco o tiroteio protagonizado por um de seus supostos comandos na noite de terça-feira perto de Paris, que resultou na morte de um policial francês.

"ETA (...) manifesta a disposição de dar os passos necesários no caminho da mudança política, no espaço que lhe cabe", segundo fragmento do texto em basco, traduzido para o espanhol e publicado por Gara.

O grupo, considerado terrorista pela União Europeia e Estados Unidos, destaca sua "vontade de resolver o conflito" basco e chegar a "uma fórmula de consenso", para que os cidadãos bascos possam decidir seu futuro "sem nenhum tipo de limites nem intromissões".

Esta declaração parece responder ao crescente número de pedidos de integrantes de seu braço político, o Batasuna - proibido pela justiça espanhola-, pelo fim da violência e um "processo democrático" para solucionar a situação no País Basco.

O emblemático Arnaldo Otegi, ex-porta-voz do Batasuna, atualmente preso, considerou recentemente que não restava outra possibilidade ao ETA, senão participar de um processo sem violência para solucionar o conflito basco.

Os militantes do Batasuna, estão "marginalizados" desde a ruptura da última trégua de junho de 2007 e do estrepitoso fracasso do processo de paz em 2006/07.

O grupo separatista basco ETA completa 51 anos de existência no dia 31 de julho, em 42 anos de luta armada, matou 829 pessoas, perdendo 200 ativistas.

O País Basco sonhado - ou Euskal Herria, vai de Adour a Ebro, incluindo a região autônoma espanhola de Navarra, e o País Basco francês, no sudoeste vizinho.

Mais de 90% das vítimas do ETA foram assassinadas após a morte do ditador Francisco Franco em 1975 e desde o restabelecimento da democracia na Espanha.

A União Europeia (UE) incluiu o ETA na lista de organizações terroristas em dezembro de 2001.

Seus objetivos foram defendidos no plano político pelo radical Batasuna, antes denominado Herri Batasuna (HB) e Euskal Heritarrok (EH).

ETA (Euskadi Ta Askatasuna, que quer dizer, Pátria Basca e Liberdade), tem como símbolo uma tocha com uma serpente entrelaçada, tendo sido fundado em 31 de julho de 1959 por estudantes nacionalistas contra o "imobilismo" diante do franquismo do Partido Nacionalista Basco (PNV, democratas-cristãos), no poder no País Basco desde 1980.

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