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24/03/2010 - 15h49

Colonização de Jerusalém Oriental afeta relações entre EUA e Israel

Israel adotou a discrição depois das reuniões cruciais entre Benjamin Netanyahu e o presidente americano Barack Obama em Washington, mas não há dúvida de que o tema de Jerusalém Oriental afeta fortemente as relações entre os dois aliados.

O escritório do primeiro-ministro israelense limitou-se a divulgar um comunicado lacônico, no qual diz que houve uma "boa atmosfera" nos encontros entre Netanyahu e Obama, realizados longe da imprensa.

Ainda que nada indique que os líderes dos dois países tenham promovido avanços, eles "continuarão discutindo nesta quarta-feira as ideias abordadas durante esse encontro", segundo o comunicado, que não deu mais detalhes.

Mais uma vez, o problema da colonização judaica em Jerusalém Oriental perturbou o diálogo entre Israel e Estados Unidos, enquanto a administração Obama esforça-se por relançar o processo de paz no Oriente Médio, interrompido desde o final de 2008.

Quando ocorriam as conversas entre Netanyahu e Obama, os veículos da imprensa israelense anunciaram a autorização por parte da prefeitura de Jerusalém para a construção de 20 casas no lugar onde havia um hotel palestino, na área oriental, ocupada por Israel em 1967.

Esse projeto imobiliário foi lançado por um magnata judeu americano, Irving Morkowitz, que financia diversas organizações ultranacionalistas com o objetivo de permitir que israelenses se instalem nos bairros árabes da Cidade Santa.

O movimento anticolonização Paz Agora acusou a prefeitura de Jerusalém de "sabotar as possibilidades de um acordo com os palestinos".

"De fato, Benjamin Netanyahu não consegue controlar a prefeitura e a colonização contínua", disse Hagit Ofran, um dirigente da Paz Agora.

Foi o anúncio da construção de 1.600 residências no bairro judaico de Ramat Schlomo em Jerusalém Oriental, em plena visita do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel, que originou o confronto diplomático entre Israel e Washington.

Apesar das repetidas garantias por parte dos líderes israelenses, as perturbações nas relações bilaterais não se dissiparam.

Israel considera toda a Cidade Santa como sua capital "indivisível e eterna", enquanto os palestinos querem estabelecer a capital de seu futuro Estado em Jerusalém Oriental.

A comunidade internacional não reconhece Jerusalém Oriental como parte de Israel. A região foi conquistada pelo país durante a Guerra dos Seis Dias (junho de 1967). "Jerusalém não é uma colônia. É nossa capital", reiterou na segunda-feira o chefe do governo israelense diante da Aipac, organização americana pró-Israel.

"O povo judeu construiu Jerusalém há 3 mil anos e o povo judeu constrói Jerusalém hoje", disse, em meio a uma verdadeira ovação do auditório.

No dia anterior, em Jerusalém, diante de seus ministros, Netanyahu tinha afirmado que "a política de construção em Jerusalém é a mesma de Tel Aviv".

Segundo uma fonte israelense, o líder do governo de Israel advertiu os americanos que "se apoiarem petições não razoáveis dos palestinos sobre o congelamento da construção em Jerusalém, o processo político poderá ser bloqueado durante um ano".

Do lado palestino, não apenas se exige o término da colonização de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia, como se pede que os Estados Unidos pressionem Israel.

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