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24/03/2010 - 13h02

Pedofilia: Papa aceita demissão de bispo irlandês, que perde perdão

O papa Bento XVI aceitou nesta quarta-feira a demissão do bispo irlandês John Magee, ex-secretário particular de vários pontífices e acusado de ter encoberto casos de pedofilia, em um gesto emblemático após os escândalos que eclodiram em vários países da Europa.

O anúncio foi feito pelo gabinete de imprensa do Vaticano, que menciona o artigo 401 do Direito Canônico em seu parágrafo dois que apresenta "razões graves".

"O Santo Padre aceitou a renúncia ao governo pastoral da diocese de Cloyne apresentada pelo monsenhor John Magee, em conformidade com o artigo 401, parágrafo dois, do Direito Canônico", indica a nota vaticana.

Magee, de 73 anos, que foi secretário particular de três papas, Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II e mestre de Cerimônias Pontifícias em 1992, foi envolvido no escândalo de abusos sexuais contra crianças em um relatório divulgado em dezembro de 2008 pela Igreja Católica irlandesa.

No relatório são citados, entre outros, os casos de dois padres de Cloyne (sul da Irlanda) acusados de abusos sexuais contra crianças e considera que as medidas de proteção dos jovens "não eram adequadas e, em alguns aspectos, perigosas".

Segundo as investigações, milhares de abusos sexuais foram cometidos por padres entre os anos 50 e 80.

Depois dessas revelações, quatro bispos renunciaram, mas apenas uma delas era efetiva, a do monsenhor Donald Murray, ex-bispo de Limerick e bispo auxiliar de Dublin de 1982 a 1996.

A demissão do monsenhor Magee foi aceita quatro dias depois de o Papa ter reconhecido em uma importante "carta pastoral" a responsabilidade da Igreja Católica pelos abusos cometidos por padres e religiosos pedófilos nesse país.

Magee havia renunciado ao seu cargo em março de 2009 e desde então um "administrador apostólico" exercia suas funções.

"Dada a difícil situação, Magee havia sido substituído em sua diocese por um administrador apostólico", explicou à AFP o padre Federico Lombardi.

O bispo irlandês pediu nesta quarta-feira o perdão de todas as pessoas que foram vítimas de abusos sexuais por parte de membros de seu clero.

"Antes de sair, quero oferecer novamente minhas mais sinceras desculpas a qualquer pessoa que tenha sofrido abusos por parte de qualquer padre da diocese de Cloyne, enquanto fui bispo ou em qualquer outro momento", escreveu em um comunicado.

"Àqueles que decepcionei de qualquer maneira, ou àqueles que qualquer omissão minha tenha feito sofrer, imploro seu perdão", acrescentou.

O Comitê Nacional de Defesa do Menor irlandês o acusou de não ter sabido administrar adequadamente o caso, já que se limitou a transferir os acusados para outros lugares.

O escândalo é tão grande que o próprio Papa manifestou "a vergonha e o remorso" de toda a Igreja na carta divulgada no sábado na qual condenou as autoridades eclesiásticas da Irlanda por sua atitude passiva frente às denúncias de pedofilia.

O pontífice anunciou também que serão realizadas "visitas apostólicas", ou seja inspeções, nas dioceses, nos seminários e noviciados irlandeses envolvidos nos escândalos.

"É preciso admitir que foram cometidos erros de avaliação e que houve erros de administração", escreveu o Papa no capítulo dedicado aos "irmãos bispos".

A carta foi lida no domingo em todas as paróquias irlandesas e insta os acusados a expressarem um "arrependimento sincero", com "orações e penitências por aqueles que ofenderam" e defende que sejam julgados por "Deus e pela justiça" comum.

A mensagem não convenceu as associações de vítimas, que se declararam decepcionadas com as palavras de Bento XVI, já que esperavam sinais e gestos mais fortes contra a hierarquia da Igreja, não apenas da Irlanda, como também dos demais países afetados, entre eles Alemanha, Holanda, Suíça e Áustria.

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