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25/03/2010 - 12h02

Fukushima: situação imprevisível, possível avaria no reator 3

TÓQUIO, 25 Mar 2011 (AFP) -A situação na central nuclear de Fukushima continua "muito imprevisível", admitiu nesta sexta-feira o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, após o anúncio de que o vaso onde estão as barras de combustível do reator 3 pode ter sofrido uma grave avaria.

Kan reconheceu nesta sexta-feira que a situação na usina nuclear de Fukushima, seriamente danificada pelo terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão no dia 11 de março, ainda requer extremo cuidado.

"Estamos agindo para impedir que a situação piore. Precisamos continuar sendo extremamente vigilantes", disse Kan.

"Trabalhadores da Tepco, membros das Forças de Defesa Civil, da polícia e dos bombeiros de Tóquio e Osaka, além de outras áreas, estão arriscando suas vidas na batalha para controlar a situação em Fukushima", indicou o primeiro-ministro.

Segundo o operador Tokyo Electric Power (Tepco), o vaso do reator 3 de Fukushima, que contém as barras de combustível, pode estar danificado.

"É possível que o vaso onde ficam as barras de combustível do reator esteja avariado", declarou à AFP um funcionário da Tepco.

"Substâncias radioativas se dispersaram para longe do reator", afirmou por sua vez Hideyuki Nishiyama, porta-voz da Agência Japonesa de Segurança Nuclear.

Por outro lado, o número confirmado de mortos na catástrofe japonesa superou os 10.000, passadas duas semanas do terremoto, informou nesta sexta-feira a polícia japonesa.

Segundo o balanço publicado nesta sexta-feira, 10.035 mortes foram confirmados e 17.443 pessoas ainda estão desaparecidas. A quantidade de feridos é de 2.775.

Enquanto isso, as operações de resfriamento dos reatores de Fukushima podem durar pelo menos mais um mês, estimou a Tepco.

"Ainda estamos avaliando os danos na central e não podemos fixar uma data para o retorno dos equipamentos de refrigeração. Ainda pode levar mais de um mês, quem sabe", disse à AFP um porta-voz da empresa.

A Agência Japonesa de Segurança Nuclear anunciou que não descarta a possibilidade de aumentar o nível de gravidade do acidente de Fukushima, atualmente 5 em uma escala de 0 a 7.

As operações para reativar os sistemas de resfriamento foram suspensas parcialmente após a contaminação radioativa, anunciada na quinta-feira, de três funcionários que trabalhavam em um edifício onde fica a turbina, diferente do edifício do reator 3, acrescentou o porta-voz da Tepco.

A Agência Japonesa de Segurança Nuclear criticou a Tepco por não ter adotado todas as medidas necessárias para proteger seus técnicos, que trabalham noite e dia ao lado de centenas de bombeiros e soldados para evitar uma catástrofe nuclear.

Vazamentos radioativos continuam nos quatro reatores mais afetados, provocando temores de uma contaminação da cadeia alimentar e da água na região de Tóquio - onde vivem 35 milhões de pessoas - e até no exterior.

A venda de alguns legumes e verduras, além do leite, foi proibida em pelo menos quatro províncias situadas perto da central de Fukushima, enquanto o consumo da água das torneiras foi desaconselhada para crianças pequenas em mais de 10 localidades.

O ministério da Saúde também reforçou o controle sobre peixes e mariscos pescados nos arredores da usina.

Estados Unidos, Austrália, Canadá, Rússia, China e Coreia do Sul, assim como vários países da Ásia e os 27 da União Europeia, decretaram controles sobre os produtos frescos provenientes do nordeste do Japão, que praticamente já não têm mais saída para o exterior.

Como um sinal do nervosismo reinante, dois japoneses foram hospitalizados na quarta-feira ao desembarcarem na China, vindos de Tóquio em um voo comercial, porque apresentavam "um grave" índice de radioatividade, anunciou nesta sexta-feira a administração chinesa de segurança e quarentena.

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