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25/03/2010 - 10h53

Vaticano nega acusações de que o Papa ocultou caso de pedofilia nos EUA

O Vaticano saiu em defesa do Papa Bento XVI, acusado nesta quinta-feira pelo jornal New York Times de ter acobertado no passado os abusos de um padre americano pedófilo, ao afirmar que ele só teve conhecimento dos fatos quando era tarde, quando o idoso sacerdote já estava muito doente.

Segundo o NYT, Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé nos anos 1990, abriu mão de iniciar os trâmites contra um padre acusado de ter maltratado quase 200 crianças surdas em uma escola do Wisconsin (norte dos Estados Unidos) entre 1950 e 1972.

Os documentos, mantidos em sigilo durante muitos anos, revelam uma correspondência de 1996 entre o padre Lawrence C. Murphy e o então cardeal Joseph Ratzinger, que presidia a Congregação para a Doutrina da Fé antes de virar Papa, afirma o Times.

Ratzinger também teria sido alertado sobre as acusações contra o padre Murphy pelo arcebispo de Wisconsin, que teria escrito duas cartas sobre a questão.

Murphy trabalhou na escola para crianças surdas e com deficiências auditivas do estado de Wisconsin entre 1950 e 1974.

Este novo caso, revelado pelo New York Times, diz respeito a julgamentos contra o arcebispo de Milwaukee, iniciados por cinco homens cujos advogados entregam ao jornal documentos referentes ao padre de Wisconsin.

Um julgamento a portas fechadas ante um tribunal eclesiástico contra o padre Murphy foi arquivado depois de uma carta redigida por ele a Ratzinger pedindo que impedisse o processo, acrescenta o jornal.

"Simplesmente quero viver o tempo que me resta na dignidade de meu sacerdócio", escreveu Murphy ao então cardeal Ratzinger. "Peço sua ajuda neste caso", prossegue o religioso americano.

Nenhuma resposta de Ratzinger figura entre esses documentos, e Murphy faleceu dois anos mais tarde, em 1998, quando ainda era padre.

Na resposta ao jornal, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, ressalta em um comunicado que se recorreu à Congregação pela primeira vez no fim dos anos 90, "quando já haviam transcorrido mais de duas décadas desde que os abusos foram denunciados aos dirigentes da diocese e da polícia".

Lombardi recordou que as autoridades civis americanas investigaram o padre Lawrence Murphy nos anos 70, após as acusações das vítimas, mas acabaram abandonando o processo.

"É importante ressaltar que o assunto canônico apresentado à Congregação não tinha relação alguma com qualquer procedimento civil ou penal contra o padre Murphy", destaca o texto.

O caso chegou ao Vaticano por uma violação do sacramento da penitência, já que alguns abusos foram cometidos no confessionário.

"Como o padre Murphy era velho, tinha saúde ruim, vivia recluso e não havia nenhuma informação sobre eventuais abusos durante os últimos 20 anos, a Congregação para a Doutrina da Fé sugerió ao arcebispo de Milwaukee que restringisse as atividades religiosas do padre Murphy e pedisse ao religioso que aceitasse a plena responsabilidade pela gravidade de seus atos", completa a nota divulgada pelo Vaticano.

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