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26/03/2010 - 14h13

Legionários de Cristo pedem perdão por abusos sexuais de seu fundador

A influente congregação mexicana Legionários de Cristo reconheceu nesta sexta-feira pela primeira vez os abusos sexuais cometidos por seu fundador, o falecido padre Marcial Maciel, e pediu perdão às vítimas.

Em um comunicado divulgado em Roma, os superiores da congregação admitem as "ações reprováveis" de Maciel e pedem desculpas a "todos aqueles que foram afetados, feridos ou escandalizados pelas ações reprováveis de nosso fundador".

"Levou tempo para assimilarmos estes fatos de sua vida. Para muitos - sobretudo para as vítimas - este tempo foi muito longo e doloroso", afirma o texto de quatro páginas.

"Pensávamos e esperávamos que as acusações apresentadas contra nosso fundador fossem falsas e infundadas, já que não correspondiam à experiência que tínhamos de sua pessoa e obra", admitem ao mencionar as primeiras denúncias em 1997.

"No ano de 2006 se chegou a uma certeza moral suficiente para impor sanções canônicas graves, correspondentes às acusações feitas contra o padre Maciel, entre as quais se incluíam atos de abuso sexual a seminaristas jovens", destaca o texto.

"Portanto, profundamente consternados devemos dizer que estes fatos aconteceram", reconhecem.

O documento, que rompe com a tradicional posição da congregação de defender a figura do controverso fundador, está assinado pelos principais nomes da congregação, entre eles o diretor geral Alvaro Corcuera e o vigário-geral Luis Garza.

Na nota, a congregação cita "a relação prolongada e estável com uma mulher" que Maciel manteve, além da agitada vida sentimental.

"Posteriormente, soubemos que tinha tido uma filha no contexto de uma relação prolongada e estável com uma mulher e outras condutas graves. Mais adiante apareceram outras duas pessoas, irmãs entre si, que afirmavam ser filhos seus, fruto da relação com outra mulher", indicam.

Não é descartada a hipótese de o papa Bento XVI designar "um comissário" para dirigir a organização após o fim, em meados de março, da inspeção ordenada há oito meses pelo mesmo pontífice.

O Papa anunciou em março do ano passado que uma equipe de prelados, bispos e padres haviam realizado uma "visita apostólica", ou seja, uma inspeção nas instituições da congregação.

Os Legionários de Cristo, ordem fundada em 1941 por Maciel no México, é uma das congregações mais ultraconservadoras da Igreja.

Com o importante "mea culpa", os legionários tentam se salvar de uma dissolução, já que contam com quase 3.000 seminaristas, 800 padres em 22 países, muitos deles da América Latina, 12 universidades e cerca de 70.000 fiéis em todo o mundo, em geral de alto poder aquisitivo.

Antes de morrer em janeiro de 2008, aos 87 anos, Maciel teve que deixar de realizar missas em público por ordem do atual Papa, Bento XVI, depois de ter sido alvo de várias acusações, embora muitos membros da congregação tenham mantido o seu apoio ao seu fundador.

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