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26/03/2010 - 10h01

Merkel impõe vontade, Sarkozy cede e Zapatero vira coadjuvante

A chanceler alemã Angela Merkel impôs suas condições ao plano de ajuda à Grécia aprovado pelos países da Eurozona, obrigando o presidente francês Nicolas Sarkozy a ceder e relegando o chefe de Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, a um papel secundário, apesar de Madri ter a presidência semestral da União Europeia (UE).

Integrada por 16 países, a zona euro viu mais uma vez, no primeiro dia da reunião de cúpula da UE em Bruxelas, um acordo prévio das grandes potências do bloco, Alemanha e França, ser ratificado pelos demais países quase sem alterações, com exceção da questão do governo econômico da UE.

Mas mesmo dentro da lógica de liderança do tradicional motor franco-alemão da construção europeia, um lado saiu com o que desejava e o outro tentou limitar as perdas.

Muito criticada antes da reunião pelo que alguns chamavam de posição egoísta da maior potência econômica europeia, Merkel cumpiu um objetivo duplo: obter um acordo para tranquilizar os mercados e manter uma posição dura, que permite sua volta para casa sem dar a impressão de que aceitou pagar pelos erros dos gregos.

O plano, baseado na criação de um marco europeu de empréstimos bilaterais e com uma ajuda substantiva do Fundo Monetário Internacional (FMI), só será ativado como "último recurso", de acordo com as exigências da Alemanha.

"Acredito que a Europa demonstrou sua capacidade de atuar sobre uma questão importante. Trabalhou a favor da estabilidade do euro e mostrou solidariedade com países em dificuldades", declarou Merkel nesta sexta-feira.

Para a imprensa alemã, a vitória de Merkel não deixa de ser amarga, já que a chanceler passou de "Miss Europa" para "Senhora Não", comparada até mesmo por alguns com a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.

Já para Sarkozy, aceitar a participação do FMI - algo que não era apoiado pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela maioria dos países da Eurozona - foi o único modo de evitar que a reunião terminasse em fracaso, o que seria inaceitável diante da situação de fragilidade da moeda única.

"Foi preciso encontrar um ponto médio. O presidente do BCE tinha uma posição bastante firme, o presidente da Comissão (Europeia, José Manuel Durão Barroso) também e a França tentou combinar os pontos de vista", afirmou com realismo Sarkozy.

Já Rodríguez Zapatero teve que aceitar o papel de coadjuvante, longe do protagonismo que talvez esperava quando assumiu a presidência rotativa da UE em janeiro, que já foi ofuscada pela entrada em vigor do Tratado de Lisboa e a posse do presidente permanente do bloco, o belga Herman Van Rompuy.

Apesar de Zapatero ter se reunido na terça-feira em Paris com Sarkozy para afirmar que os dois países compartilhavam uma visão sobre a necessidade de fortalecer o governo econômico europeu, o certo é que a questão acabou resolvida em um encontro bilateral entre o presidente francês e Merkel.

França e Espanha tiveram problemas inclusive para aprovar a controversa proposta de "governo econômico da UE", que foi rejeitada pela Grã-Bretanha e provocou fortes reservas em países como Irlanda e Holanda, segundo alguns diplomatas.

A formulação do conceito, defendido arduamente pela França há vários anos, forçou uma pirueta nas versões em inglês e espanhol do documento aprovado pelos 16 membros da Eurozona.

A versão inglesa do documento se refere apenas à "governança econômica", termo menos forte que o "governo", uma "questão de sensibilidade", segundo Van Rompuy.

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