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27/03/2010 - 09h13

Saúde e desarmamento dão uma injeção de ânimo ao governo Obama

O presidente Barack Obama conseguiu duas vitórias esta semana com a aprovação da histórica reforma de saúde e a assinatura de um acordo de redução nuclear com a Rússia, o que injetou ânimo em uma presidência cujos índices de popularidade são cada vez menores.

"Que semana tivemos aqui!", afirmou o secretário de imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, em mensagem publicada no Twitter, enquanto Obama fechava um novo acordo estratégico para redução de armas nucleares, em telefonema para o presidente russo, Dmitri Medvedev, na sexta-feira.

Em seis dias, dois dos maiores projetos da presidência de Obama foram concluídos depois de meses de trabalho exaustivo, transformando a imagem de uma administração que havia causado muito impacto, mas falhado em abordar grandes temas em sua agenda.

Na sexta-feira, Obama pôde saborear a mudança de atitude dos especialistas que ele frequentemente deprecia, que mudaram o mantra do "essa presidência acabou", para outro que levanta o presidente como um governante que obtém conquistas no cenário doméstico e um chefe de Estado global.

As elevadas espectativas de uma presidência transformativa - que foram colocadas sobre Obama quando ele tomou posse, em meio à maior crise econômica das últimas gerações -, pareceram agora menos irrealistas, depois de ele ter passado pela sua melhor semana na Casa Branca.

O presidente pode agora argumentar que é um líder que consegue fazer as coisas, que encara as questões mais difíceis, e continua insistindo nelas até o fim.

"Foi necessário paciência e perseverança. Mas não desistimos", afirmou Obama nesta sexta-feira, referindo-se às tortuosas negociações com a Rússia, utilizando o mesmo tom usado para descrever sua difícil luta para aprovar a reforma da saúde.

Essa nova imagem ajudará Obama em um ano de eleições e no progresso em relação a problemas de relações exteriores?

Diversas vezes durante esta semana, os líderes internacionais cumprimentaram Obama por sua vitória na reforma de saúde, sugerindo que seu papel se fortaleceu no cenário global.

A imagem de uma presidência bem-sucedida é importante, afirmam analistas, e pode melhorar a influência de Obama em questões difíceis como o programa nuclear iraniano e o Oriente Médio.

"Quando um presidente vai mal nos Estados Unidos, há menos chance de temê-lo no exterior", afirma Julian Zelizer, uma historiadora política da Universidade de Princeton.

Um dos mais duros ataques feitos por Obama contra seu oponente republicano John McCain em 2008 foi dizer que um presidente precisa fazer mais de uma coisa por vez.

Enquanto liderava a reforma de saúde, em meio a um Congresso dividido e concluía negociações sobre armas nucleares com a Rússia nesta semana, Obama também estava bem no meio de uma crise nas relações com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

A imagem de um presidente engajado liderando as políticas perigosas de Washington enquanto navega um mundo traiçoeiro pode também mudar a ideia de algumas pessoas em relação à tenacidade de Obama.

"Muitos democratas e alguns republicanos temiam que, particularmente nas relações externas, este fosse um presidente com ótima oratória e inteligente, mas que não seria alguém duro", afirma Zelizer.

Mas enquanto Obama pode ter ganhado suas credenciais de chefe de Estado, ainda não está claro se sua personalidade pode ter impacto sobre o cenário mundial, onde a diplomacia é ditada por cálculos e interesses nacionais.

Apenas o prestígio do presidente também não deve convencer a China a valorizar sua moeda, ou fazer o Irã acabar com seu programa nuclear, ou melhorar a situação do conflito no Oriente Médio - três das dores de cabeça da política internacional americana.

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