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28/03/2010 - 16h04

Papa celebra missa de Domingo de Ramos alheio aos escândalos de pedofilia

Pela primeira vez, o Papa Bento XVI celebrou a procissão do Domingo de Ramos a bordo do 'papamóvel', diante de milhares de fiéis presentes na praça de São Pedro que pareciam alheios aos escândalos de pedofilia no clero envolvendo o nome de Sua Santidade. No entanto, Bento XVI afirmou que não se sentirá intimidado pelas críticas.

A missa de Ramos abre as celebrações litúrgicas da Semana Santa e recorda a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém acolhido por uma multidão que agitava ramos de oliveira à sua passagem.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, explicou que o Papa, ao contrário dos anos anteriores, tomou a decisão de circular de 'papamóvel' para ficar mais visível e ter um contato mais direto com os peregrinos.

Lombardi também explicou que o Papa terá uma 'semana fatigante' em função das cerimônias relativas à Páscoa cristã.

Bento, que fará 83 anos em 16 abril, tinha, no entanto, uma aparência boa, apesar de estar em meio a uma série de escândalos envolvendo casos de pedofilia em seu clero. Ele não mencionou diretamente a situação delicada que fragiliza seu pontificado.

"Jesus não se deixou intimidar pelas intrigas das opiniões dominantes", afirmou em sua homilia.

A esse respeito, em entrevista à tv BBC One, o primaz da Inglaterra e do País de Gales, Vincent Nichols, afirmou neste domingo que não há razões sólidas que apontem para a renúncia do Papa Bento XVI.

"O Papa não vai renunciar. Francamente, não há razão sólida para que o faça", declarou o arcebispo de Westminster falando à BBC One.

"Ele não está envolvido em nenhuma tentativa de ocultar caso algum... De fato, foi o cardeal Ratzinger (futuro Papa Bento XVI) que impulsionou mudanças significativas. Por exemplo, pressionou em favor de um processo rápido apa secularizar os padres que cometeram abusos... Depois, em 2001, emitiu um documento que permite que os bispos não fiquem isolados frente ao problema", explicou.

"Nesse documento, não há absolutamente nada que impeça aos bispos assinalar os crimes à polícia. De fato, desde 2001, a Santa Sede sempre aconselhou os bispos a fazê-lo", concluiu.

O Papa se encontra em meio a uma série de escândalos envolvendo pedofilia dentro de clero que abalam sua posição.

O cardeal Joseph Ratzinger, que depois seria nomeado Papa, não teria feito nada para impedir em 1980 que um padre acusado de pedofilia retomasse o sacerdócio em uma outra paróquia na Alemanha, afirmou o jornal New York Times na sexta-feira, um dia depois de revelar um caso parecido ocorrido nos Estados Unidos.

No final de 1979 em Essen, Alemanha, o padre Peter Hullermann foi suspenso após várias queixas de pais que o acusavam de pedofilia. Uma avaliação psiquiátrica ressaltou os instintos pedófilos, indica o diário americano.

Algumas semanas depois, em janeiro de 1980, o cardeal Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, que era na época arcebispo de Munique, dirigiu uma reunião durante a qual a transferência do padre de Essen para Munique foi aprovada. O futuro pontífice recebeu alguns dias depois uma nota na qual foi informado de que o padre Hullermann havia retomado o serviço pastoral.

Em 1986, este padre foi declarado culpado de ter agredido sexualmente meninos em uma outra paróquia de Munique, após a transferência para a cidade bávara.

Na quinta-feira, o jornal revelou que o futuro Papa Bento XVI havia acobertado abusos sexuais de um padre americano, acusado de ter abusado de 200 crianças surdas de uma escola do Wisconsin (norte dos Estados Unidos).

Segundo o NYT, o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé abriu mão de iniciar os trâmites contra o padre acusado de ter abusado de quase 200 crianças surdas em uma escola do Wisconsin entre 1950 e 1972.

O Vaticano reagiu rapidamente desmentindo as informações.

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