UOL Notícias Notícias
 

29/03/2010 - 07h19

China condena diretor australiano da Rio Tinto a 10 anos de prisão

Quatro funcionários da gigante da mineração Rio Tinto, entre eles um executivo australiano, foram condenados nesta segunda-feira em Xangai por corrupção e espionagem industrial a penas de sete a 14 anos de prisão, sentenças criticadas de imediato pelo governo da Austrália.

Entre os condenados está o executivo australiano Stern Hu, que administrava o escritório da Rio Tinto em Xangai, sentenciado a 10 anos. Os colaboradores chineses Wang Yong, Ge Minqiang e Liu Caikui foram condenados respectivamente a 14, oito e sete anos de prisão.

"De todos os pontos de vista é uma decisão muito dura. É um julgamento muito severo, de acordo com os critérios do sistema judicial australiano", declarou o ministro das Relações Exteriores de Canberra, Stephen Smith.

Para Smith o julgamento deixou "perguntas sérias sem resposta" no que diz respeito às acusações de espionagem industrial. Mas o governo australiano afirmou, no entantom que o veredicto não prejudicará as relações com a China.

Os quatro acusados foram detidos em julho, no momento em que as negociações entre os produtores de aço chineses e os gigantes da mineração sobre o preço do ferro para o ano seguinte estavam bloqueadas.

Hu colaborou com a polícia e a justiça e se declarou culpado de corrupção, ao admitir ter recebido mais de 900.000 dólares em subornos.

Segundo os advogados, os outros acusados também se declararam culpados de corrupção, mas não admitiram algumas acusações, em especial o valor dos subornos recebidos.

A Rio Tinto qualificou de "deplorável" o comportamento dos funcionários condenados, que foram demitidos poucas horas depois do anúncio das sentenças.

"De acordo com a política do grupo, vamos encerrar seus contratos", afirma em um comunicado Sam Walsh, diretor geral da divisão de minério de ferro da Rio Tinto, que qualifica de "deplorável" o comportamento dos funcionários.

Apenas um dos réus admitiu o roubo de segredos comerciais, durante as audiências a portas fechadas dedicadas a esta parte das acusações. Esta parte do processo não teve a presença de um representante consular australiano.

"A decisão de excluir o cônsul australiano viola a própria lei em vigor na China, que desde 1995 obriga os tribunais a aceitar a presença de uma representação consular, mesmo nos julgamentos fechados ao público", afirmou em um artigo o especialista em leis chinesas Jerome Cohen, professor da Universidade de Nova York.

O texto também foi assinado por Yu-Jie Chen, do US Asia Law Institute.

Segundo o tribunal chinês, entre os segredos comerciais figuravam os memorandos das reuniões da CISA, a Associação Chinesa do Ferro e do Aço, e informações sobre uma redução da produção da empresa metalúrgica Shougang.

A divulgação dos segredos teria custado mais de um bilhão de yuanes a Shougang (147 milhões de dólares), segundo a justiça chinesa.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host