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29/03/2010 - 10h08

Para Vaticano, celibato não é causa de abusos sexuais

O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção dos Cristãos, o cardeal alemão Walter Kasper, declarou nesta segunda-feira que "o celibato não tem relação com os abusos sexuais de menores cometidos por padres", ao mesmo tempo que cada vez mais denúncias de pedofilia abalam a Igreja Católica da Europa.

A onda de escândalos de pedofilia que afeta o Velho Continente gerou um debate sobre as repercussões do celibato e da abstinência sexual nos sacerdotes, uma tradição milenar que o Vaticano defende de modo ferrenho.

"Todos os especialistas sustentam que a maioria dos abusos acontece dentro da família e não em meios religiosos", afirmou o cardeal alemão, um defensor do celibato, que para ele "não deve ser absolutamente abolido".

Kasper considera que abrir o debate sobre o celibato é "o abuso dos abusos e constitui uma instrumentalização dos casos de pedofilia".

"O celibato é respeitado na Igreja desde antes de virar uma regra canônica no século XI", recordou Kasper.

"Não é um dogma, sim uma antiga tradição que conserva intacta sua razão e não é necessária revisar esta legislação, nem modificar as coisas", destacou.

"É inoportuno abrir o tema neste momento, envenenado pelas polêmicas e os escândalos pelos abusos sexuais cometidos por padres e religiosos", acrescentou.

Apesar das posições intransigentes, alguns religiosos, entre eles o arcebispo de Viena, o cardeal Christoph Schoenborn, pediu recentemente à Igreja uma revisão do tema do celibato.

O cardeal italiano Carlo Maria Martini, renomado intelectual e que está entre os religiosos mais progressistas do colégio cardinalício, considera que "é preciso revisar a obrigação do celibato para os padres".

"Temos que encontrar novos caminhos", afirmou o cardeal Martini, arcebispo emérito de Milão, que não evita o debate sobre temas fundamentais.

"Assuntos profundos como a sexualidade devem ser revisados com as novas gerações, porque apenas um debate aberto pode devolver sua autoridade à Igreja", disse em uma entrevista à imprensa austríaca.

 

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