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31/03/2010 - 11h35

Vítimas de Srebrenica insatisfeitas com condenação sérvia

Os sobrevientes da matança de 1995 em Srebrenica afirmaram nesta quarta-feira que a resolução de condenação adotada pelo parlamento sérvio "não significa nada" porque não classifica os fatos ocorridos de genocídio.

"Para nós realmente não significa nada, já que não usa o termo genocídio", declarou Hajra Catic, chefe da associação de sobreviventes da matança de Srebrenica (encrave protegido pela ONU no leste da Bósnia) .

O Parlamento Sérvio aprovou, na noite de terça-feira, uma resolução histórica condenando o massacre de cerca de 8 mil muçulmanos em Srebrenica e pondo fim a anos de negações, por parte dos sérvios, com relação à magnitude da tragédia.

A aprovação do texto, por 127 dos 173 parlamentares presentes, não qualifica, entretanto, o massacre como genocídio, o que desgradou os sobreviventes da matança.

"O Parlamento sérvio condena duramente o crime cometido contra os bósnios muçulmanos de Srebrenica em julho de 1995, como determinado pelo regulamento da Corte Internacional de Justiça", diz o texto.

Os parlamentares ainda expressaram "condolências e desculpas às famílias das vítimas, porque não foi feito tudo o que poderia ter sido feito para evitar a tragédia".

A coalizão que propôs a resolução conquistou a adoção do texto após 13 horas de acalorados debates, mas advertiu que isso foi apenas o começo de um processo de revisão da História recente da Sérvia.

"Essa declaração é apenas o início porque as questões tratadas são apenas a ponta do iceberg que temos que encarar", afirmou Nenad Canak, da coalizão a favor da declaração, após a votação.

"(A resolução) foi o passo mais difícil, mas estou convencido de que isso abre agora o processo de reavaliação da história recente; isso vai ser longo e doloroso", acrescentou.

No texto, o Parlamento ainda votou para mater a cooperação com o Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPI).

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, classificou a aprovação de "importante passo adiante".

"Celebramos a adoção desta declaração", afirmou seu porta-voz, Lutz Güllner, em um encontro com os jornalistas.

Mas os sobrevientes da matança criticaram o fato de a resolução não classificar os fatos de genocídio.

"Eles não deveriam ter adotado isso para nada", acrescentou Catic, que perdeu o marido e um filho nesse banho de sangue.

"Sabemos que foram cometidos crimes em toda a Bósnia, mas temos uma resolução da Corte Internacional da Justiça, que diz que, em Srebrenica, foi cometido um genocídio", concluiu Catic, diretora da entidade Mulheeres de Srebrenica.

Cerca de 8.000 muçulmanos bósnios morreram nesta matança, considerado o episódio mais sangrento em território europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Duas cortes internacionais estimam que constitui um genocídio.

A matança é o único episódio da guerra da Bósnia (1992-1995) declarado genocídio por dois tribunais internacionais: o Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia e a Corte Internacional de Justiça, ambos com sede em Haia.

Em meados de julho de 1995, depois de ter separado os homens das mulheres, as forças sérvio-bósnias mataram 8.000 homens e adolescentes muçulmanos bósnios em Srebrenica e enterraram seus corpos em valas comuns.

Durante anos, a Sérvia minimizou a magnitude desta tragédia e muitos sérvios continuam achando o general Ratko Mladic - que comandou as forças sérvias da Bósnia em Srebrenica e foi indiciado pelo TPIY seu papel no massacre - um herói que lutou pela causa sérvia.

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