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05/04/2010 - 13h54

Talibãs atacam consulado dos EUA no Paquistão que registra 41 mortos em outro atentado

O Paquistão foi ensanguentado nesta segunda-feira por dois ataques de homens-bomba no noroeste do país, um assalto ao consulado americano de Peshawar, assumido pelos talibãs, e um atentado que matou 41 pessoas durante um comício político.

A operação contra o consulado dos Estados Unidos foi reivindicada por um porta-voz dos talibãs paquistaneses aliados à Al-Qaeda, responsáveis por uma onda de atentados suicidas e ataques que fizeram mais de 3.200 mortos em todo o país em dois anos e meio.

Em Washington, a Casa Branca expressou "profunda preocupação" após o ato visando seus interesses no Paquistão - um dos aliados na "guerra contra o terrorismo" liderada pelos Estados Unidos na região desde o final de 2001.

Em Timargarah, uma localidade do distrito do Baixo Dir, no vale de Swat, um homem-bomba matou pelo menos 41 pessoas e feriu mais de 80 ao detonar os explosivos que levava ao corpo, durante um comício ao ar livre do Partido Nacional Awami, uma formação laica que controla a Assembleia e o poder Executivo da Província da Fronteira do Noroeste (NWPF).

Pouco depois, um grupo fortemente armado tentou tomar de assalto o consulado dos Estados Unidos em Peshawar, a principal cidade do noroeste do país, apesar da forte segurança ao redor do edifício.

Um primeiro homem-bomba lançou seu veículo com 30 kg de explosivos contra um primeiro posto de controle da segurança a 50 metros do consulado, para tentar abrir passagem, segundo Liaqat Ali, o chefe de polícia da cidade.

Um segundo carro, abarrotado com outras centenas de explosivos, foi acionado perto da barreira de entrada do consulado, seguindo-se uma troca de tiros com armas automáticas entre os demais atacantes e os guardas de segurança.

Depois, dois atacantes a pé foram abatidos quando tentavam ultrapassar uma outra barreira, sem terem tido tempo de fazer detonar as cargas que levavam nas roupas, segundo Ali.

O ministro de Informação da província, Mian Iftikhar Hussain, contou pelo menos 11 mortos no total: cinco membros das forças de segurança e seis atacantes.

A embaixada dos Estados Unidos em Islamabad anunciou que pelo menos dois guardas paquistaneses de seu consulado tinham sido mortos, sem que se saiba se estão incluídos ou não no número de 11 mortos. "Outros vários (guardas do consulado) ficaram gravemente feridos", precisou em comunicado condenando esta ação e a de Lower Dir.

A França também condenou os atentados com "firmeza".

Situado à margem das instáveis zonas tribais na fronteira do Afeganistão, Peshawar é a cidade do Paquistão onde os atentados são mais frequentes.

Azam Tariq, porta-voz do Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP), assumiu a responsabilidade pela ação contra o consulado, realizada, segundo ele, "em represália a ataques de aviões americanos teleguiados, sem piloto (drones)".

Essas aeronaves da CIA com base no Afeganistão vizinho visam quase que diariamente alvos da Al-Qaeda e dos talibãs afegãos e paquistaneses nas zonas tribais, baluartes do TTP.

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