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06/04/2010 - 18h04

Obama reforça posição dos EUA na questão nuclear antes da cúpula de Washington

A revisão da doutrina nuclear americana dá credibilidade aos apelos ao desarmamento feitos pelo presidente Barack Obama, a alguns dias da cúpula de Washington, um dos três importantes encontros da diplomacia nuclear previstos para as próximas semanas.

Os Estados Unidos decidiram nesta terça-feira limitar os casos nos quais poderão fazer uso da arma atômica, pouco antes da viagem de Obama a Praga, onde deve assinar na quinta-feira com o seu colega russo um novo acordo de desarmamento estratégico.

Obama receberá em seguida quarenta chefes de Estado em Washington, nos dias 12 e 13 de abril, para uma cúpula dedicada ao terrorismo nuclear, um tema que está no centro da nova doutrina.

Em maio, os diplomatas do mundo inteiro, reunidos na ONU, vão abordar a revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

O documento revelado nesta terça-feira "fornece a base estratégica de todos esses esforços", e "indica claramente que cooperaremos com parceiros no mundo inteiro para prevenir a proliferação nuclear e o terrorismo nuclear", assegurou Hillary Clinton, chefe da diplomacia americana.

Seu colega italiano, Franco Frattini, considerou que Washington "criou condições novas e mais favoráveis para o fortalecimento do regime de não-proliferação, mantendo uma capacidade confiável de dissuasão".

Este é "o bom sinal enviado no momento exato", ressaltou, enquanto que o ministro alemão Guido Westerwelle saudou "um passo corajoso em direção ao desarmamento". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou uma "iniciativa oportuna".

A nova doutrina é "um avanço" que reforça o governo, considerou em Washington James Acton, do centro de reflexão Carnegie.

O especialista cita a integração, no documento americano, dos objetivos do tratado proibindo os testes nucleares (CTBT) e a renúncia em fabricar novas ogivas nucleares.

"Temíamos que esta nova doutrina não trouxesse grandes novidades", explicou Sharon Squassoni, especialista em armas de destruição em massa, membro do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), "mas combinado com a cúpula, ela contribuirá para reforçar o regime de não-proliferação, que é necessário".

Barack Obama vai poder verificar imediatamente os benefícios diplomáticos potenciais destas mudanças.

Quando o presidente americano assinar na quinta-feira o novo tratado START com o presidente russo Dmitri Medvedev, a doutrina americana revisada dará a ele um argumento a mais para convencer seu colega de que o futuro escudo antimísseis americano na Europa não ameaça a Rússia.

Obama se reunirá também em Praga com vários chefes de Estado do Leste Europeu. Será a oportunidade de ressaltar que sua nova doutrina não priva seus aliados da proteção nuclear da América.

"Nos últimos cinquenta anos, o papel dissuasivo da arma nuclear americana contribuiu para evitar a proliferação, assegurando garantias e segurança aos nossos aliados da Otan, do Pacífico e em outros lugares que não possuem a arma nuclear", declarou Hilary nesta terça-feira: "As novas medidas adotadas nos permitirão manter esse papel estabilizador."

Obama terá também um encontro com seu colega chinês Hu Jintao na próxima semana durante a cúpula de Washington.

Ele deverá aproveitar a oportunidade para pedir novamente o apoio de Pequim aos projetos de sanções contra o Irã, acusado pelos Estados Unidos de querer se dotar secretamente da arma nuclear.

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