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06/04/2010 - 17h14

Rio é o retrato de um país despreparado para anomalias climáticas

O Rio de Janeiro, que nesta terça-feira amanheceu mergulhado no caos por causa de chuvas contínuas que já deixaram 82 mortos, é um exemplo do despreparo do Brasil para enfrentar as anomalias climáticas, que nos últimos meses causaram grandes desastres na região sudeste, afirmam especialistas.

Estradas inundadas que paralisam o comércio, engarrafamentos, desmoronamentos de casas e deslizamentos de terra são as cenas mais comuns que se seguem aos temporais nas cidades superpovoadas da região, que abriga as principais metrópoles do Brasil - São Paulo (20 milhões de habitantes) e Rio de Janeiro (6 milhões) -, especialmente na temporada de chuvas, que se estende de dezembro a março.

Embora "hoje haja tecnologia de monitoramento - dados, instrumentos - o que não há é um mapeamento das áreas de risco (...) Então, falta a informação sobre o nível de vulnerabilidade do terreno" que permita às autoridades alertar a população, explicou à AFP Eymar Lopes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que desenvolve um programa informático de alerta climático.

De fato, enquanto a consultoria privada Climatempo mantém desde a manhã desta terça-feira um alerta de chuvas e riscos de deslizamentos de terra para o Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet, oficial) mantém a previsão de "chuva significativa" para a região.

O Rio de Janeiro, que sediará os Jogos Olímpicos de 2016, é "uma metrópole construída em um lugar que devia ser destinado a ser um parque nacional; é um lugar que não é propício" para uma cidade tão grande, disse em entrevista à emissora GloboNews André Urani, especialista do Instituto de Trabalho e Sociedade.

"A limpeza urbana, as pessoas que vivem em áreas de risco e pontos de inundação que se encontram abaixo do nível do mar" são, segundo Urani, as principais falhas estruturais da capital fluminense, e provocam sua paralização depois de mais de 20 horas de chuvas.

A situação do Rio "é um bom retrato da falta de preparo absoluto das grandes cidades brasileiras a qualquer tipo de anomalia climática", afirmou o sociólogo Sérgio Abranches, comentarista de ecologia e política da rádio CBN.

Até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu a gravidade da situação, vinculada aos problemas de construção na cidade.

Lula, que está na Presidência há oito anos, criticou os "desmandos administrativos neste país, 40 anos atrás, quando se permitiu que as pessoas vivessem de forma desordenada, em morros, construindo conjuntos inadequados de casas", e assegurou que as autoridades deselvolvem projetos de melhorias nestes bairros carentes.

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