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08/04/2010 - 13h45

Revolta no Quirguistão beneficia Rússia e prejudica EUA

A queda do governo do Quirguistão faz ressurgir uma rivalidade entre Rússia e Estados Unidos, que possuem bases militares nesse país estratégico da Ásia Central. No entanto, a revolta popular de quarta-feira, favorece os interesses russos em detrimento dos americanos, afirmam especialistas.

No dia seguinte aos sangrentos confrontos que obrigaram o presidente Kurmanbek Bakiyev a fugir de Bishkek, capital do país, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ligou para a chefe do governo interino quirguiz, Rosa Otunbayeva, para lhe transmitir o apoio de Moscou.

Putin "conhece a postura da oposição no Quirguistão", explica Alexei Malachenko, do Centro Carnegie de Moscou.

"Rosa e seus colegas visitaram Moscou há aproximadamente um mês. Reuniram-se com pessoas da Rússia Unida", o partido político no poder liderado por Putin, afirmou Malachenko.

Além disso, a nova líder interina desta ex-república soviética mantém boas relações com Putin, completa Malachenko.

Por outro lado, Estados Unidos e União Europeia foram perdendo sua reputação ao permanecerem calados frente ao autoritarismo de Bakiyev, o presidente contra o qual foi levantada a revolta popular, destaca Alexander Cooley, professor da Universidade de Columbia, em Nova York.

"Estados Unidos e UE são hoje os grandes perdedores. Os dois atenuaram suas críticas a respeito das práticas políticas de corrupção do regime de Bakiyev em nome da preservação da estabilidade no país", completou Cooley.

A presença da base aérea americana de Manas, pela qual transitam todo mês em torno de 35.000 soldados americanos no caminho de ida e volta do Afeganistão, é há tempos um ponto de conflito entre Moscou e Washington.

No ano passado, o Quirguistão decidiu fechar esta instalação depois que Moscou lhe propôs uma ajuda de mais de 2 bilhões de dólares em financiamentos.

Muitos observadores interpretaram a oferta como um sinal da irritação russa pela presença americana no que considera sua zona de influência.

Posteriormente, porém, Bishkek mudou de posição depois que os Estados Unidos triplicaram a quantia oferecida pelo aluguel da base aérea, o que foi considerado um revés para a Rússia.

Moscou também possui uma base militar em Kant, perto de Bishkek, e planeja abrir outra no sul do país.

Apesar de ser descartada a possibilidade de o governo quirguiz interino modificar imediatamente seu acordo com os Estados Unidos sobre a base de Manas, "é provável que vejamos nos próximos meses uma rescisão ou uma renegociação dos contratos e dos pagamentos relacionados às operações nessa base", afirmou Cooley.

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