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08/04/2010 - 15h44

Rosa Otunbayeva é aposta da oposição para acalmar Quirguistão

Rosa Otunbayeva, uma diplomata formada em Moscou que representou o Quirguistão no Ocidente antes de ser figura central na Revolução das Tulipas de 2005, foi eleita por doze opositores como chefe do governo interino, algo incomum nesse país conservador da Ásia Central.

A mulher de 59 anos foi designada por um comitê de doze líderes opositores, todos eles homens ambiciosos, o que converte a situação em algo quase inédito.

"Rosa é a melhor líder para um período transitório. É respeitada no Norte e no Sul, de onde é originária, pelas elites e pelo povo", afirma Daniil Kislov, redator do jornal independente na Internet ferghana.ru, que cobre a Ásia Central.

"É honrada e tem boa reputação, não está vinculada aos clãs", completou esse especialista consultado pela AFP.

Formada em Filosofia pela Universidade Lomonosov de Moscou, Otunbayeva, que fala inglês fluente e está acostumada a usar lenços de seda amarrados no pescoço, presidiu de 1989 a 1991 a comissão soviética na Unesco e foi membro da corporação de ministros de Relações Exteriores da URSS.

Depois da queda da União Soviética em 1991, foi chanceler do Quirguistão independente na equipe do presidente Askar Akayev.

A partir de 1997, residiu no exterior, sendo embaixadora nos Estados Unidos e na Grã Bretanha.

Em 2003, foi enviada especial da ONU na Geórgia, onde a Revolução Rosa explodiu, um movimento de protesto popular que derrotou o regime e serviu de percursor da Revolução Laranja de 2004 na Ucrânia e das Tulipas, um ano depois, no Quirguistão.

Rosa Otunbayeva rompeu em 2004 com o presidente Akayev para passar às filas da oposição.

Em 2005, tentou apresentar-se nas eleições legislativas, mas sua candidatura não foi registrada por não ter residido no país nos últimos cinco anos.

Seu partido Ata Jurt (pátria) converteu-se então em um motor da Revolução das Tulipas que levou Kurmanbek Bakiyev ao poder.

Foi chefe da diplomacia durante algum tempo, mas logo tornou-se crítica ao regime, o qual acusava de corrupção e nepotismo.

"Roubaram nossa revolução!", lamentou em março.

"Otunbayeva voltou depois de muito tempo nos Estados Unidos e sonhava construir no Quirguistão uma sociedade ao estilo ocidental", afirma Andrei Grozin, especialista da Ásia central no instituto dos Países da Comunidade de Estados Independentes CEI (11 ex-repúblicas soviéticas), que a conhece pessoalmente.

"Nesses últimos anos, teve que abandonar a ideia de uma Suíça quirguiz. Viveu cinco anos no Quirguistão e viu como o poder saído de uma revolução poderia se transformar em um regime autoritário da Ásia central", completou o especialista.

Grozin não a imagina como presidente, porque "já não são necessários slogans, e sim, uma solução urgente aos problemas políticos e econômicos", e não acredita que esse seja seu ponto forte.

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