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09/04/2010 - 18h55

Brasil e EUA firmam acordo militar após polêmica com Colômbia

Estados Unidos firmarão nesta segunda-feira, no Pentágono, um acordo de cooperação militar com o Brasil, apenas cinco meses após a assinatura do polêmico tratado com a Colômbia, que desatou grande polêmica na América do Sul.

O acordo, que será firmado às 13H30 local (14H30 Brasília) pelo secretário americano de Defesa, Robert Gates, e o ministro brasileiro Nelson Jobim, é "de grande significado" para o governo de Barack Obama, afirmou na quinta-feira um alto funcionário do Pentágono.

Este pacto formaliza a cooperação militar entre os dois países e estabelece "um mecanismo com o qual se espera aprofundar esta relação", destacou o funcionário americano.

Segundo a chancelaria brasileira, o pacto está destinado a aprofundar a cooperação em áreas como contatos técnicos, treinamento, intercâmbios, visitas de navios, iniciativas comerciais relacionadas à defesa e programas e projetos de tecnologia no setor.

O tratado não traz os aspectos polêmicos que fizeram do acordo entre EUA e Colômbia uma fonte de polêmica na região, criando resistência inclusive do Brasil, especialmente sobre a presença de tropas americanas em bases colombianas.

O novo acordo é "mais uma iniciativa do Brasil", "mais inócuo" e "muito mais limitado" que o da Colômbia, disse à AFP o presidente do centro de estudos Diálogo Interamericano, Michael Shifter.

"Brasil foi muito cuidadoso em evitar alguns dos elementos mais provocadores do tratado colombiano, como aceitar soldados americanos ou eximi-los da jurisdição da Corte Penal Internacional", expressou Evan Ellis, professor do Centro de Estudos de Defesa Hemisféricos.

O texto que será firmado na segunda-feira se concentra em "assuntos pragmáticos que facilitam o Brasil a desenvolver projetos com os Estados Unidos (...) e de nenhuma maneira constitui um compromisso com uma 'aliança' militar ou política", destacou Ellis.

O fato do acordo ser firmado sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, respeitado pelos governos de esquerda de Venezuela e Bolívia, lhe concede uma certa blindagem, segundo os analistas.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que congelou suas relações com a Colômbia após o acordo entre Bogotá e Washington, não criticou o tratado brasileiro.

O acordo também pode ser explicado como um gesto do Brasil aos Estados Unidos após Lula ter mantido posições amenas em relação ao programa nuclear iraniano.

Para minimizar qualquer reação regional, Brasília comunicou a seus colegas da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) que firmará o acordo.

Washington também fez um comunicado aos países da região a fim de esclarecer qualquer dúvida, disse o funcionário do departamento de Defesa.

A fonte esclareceu que o acordo nada tem a ver com o programa de vigilância contra o narcotráfico no Rio de Janeiro, no qual, segundo "algumas versões, estaríamos envolvidos". Esta "é uma iniciativa brasileira e não fomos convidados a participar".

O funcionário disse ainda que "não há relação" entre o acordo e a oferta de caças F-18 Super Hornet, da americana Boeing, que concorrem na renovação da frota da Força Aérea Brasileira (FAB), mas estimou que "a relação estratégica será fortalecida".

Brasília analisa a compra de 36 caças e a disputa está entre os F-18, os Rafale, da francesa Dassault, e os Gripen NG, da sueca Saab.

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