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09/04/2010 - 15h07

EUA: Nova York preocupa-se com reaparecimento da criminalidade

A recente onda de violência, que deixou quatro feridos a bala em pleno centro de Nova York, trouxe à luz o ressurgimento da criminalidade na cidade, fazendo ressurgir o espectro de problemas passados.

Os incidentes ocorreram em três locais distintos do centro de Manhattan, nas proximidades de Times Square, por volta da meia noite e 3h da manhã, na noite seguinte ao domingo de Páscoa. Quatro pedestres foram hospitalizados e 54 pessoas, entre elas nove menores, foram presos.

O prefeito Michael Bloomberg criticou o que ele descreveu como uma "noite de iniciação", na qual gangues dos subúrbios próximos se entregam tradicionalmente a cada ano.

Mas, quando Nova York se orgulhava de atingir um recorde na diminuição da criminalidade e de ter-se tornado a cidade mais segura dos Estados Unidos, em 2009, o número de mortes está de novo em alta e as restrições orçamentárias da polícia tornam ainda mais difícil a situação.

"Estou muito preocupada", desabafou Cydelle Berlin, uma psicóloga que trata de jovens, entrevistada na Times Square. "Essa invasão de bandos armados com pistolas é terrível".

As estatísticas da polícia mostram um crescimento de 22,5% no número de mortes no primeiro trimestre de 2010 em comparação com o relatório do mesmo período de 2009, com 109 pessoas assassinadas.

O Brookyn lidera com 37 vítimas no curso das primeiras 11 semanas do ano e, em Manhattan, 16 pessoas foram mortas, o dobro do ano passado.

Ainda estamos longe do pico de 2.262 mortes registradas em 1990, quando os diversos bairros da cidade eram considerados inacessíveis.

Em 2009, 466 homicídios foram registrados no total, e essa cifra baixa fez com que os percentuais de alta parecessem importantes, apontou o porta-voz da polícia, Paul Browne. "Todos esperam uma baixa na criminalidade a cada ano, porque foi assim desde 2002, à exceção de um ano", completou.

O oficial lembrou que em 1990, 55 crimes e delitos eram cometidos diariamente no metrô, um número reduzido a cinco atualmente. "Nova York continua a megalópole mais segura dos Estados Unidos", continuou.

Mas a redução nos efetivos da polícia preocupa. O número de policiais caiu para 34 mil, cinco mil a menos desde o início da gestão do atual chefe da polícia Raymond Kelly, em 2002.

E o contingente ainda pode ser reduzido este ano, chegando a um número anterior ao de 1990.

Kelly reconheceu durante uma coletiva de imprensa que as restrições orçamentárias eram um assunto preocupante.

A força policial, além da sua tradicional tarefa de combater o crime, deve também conduzir missões de luta contra terrorismo.

"Vai ser difícil manter a segurança na cidade ao nível que todos esperam daqui para frente", estima Joseph Mancini, porta-voz de uma associação de policiais voluntários.

Entre os pedestres da Times Square, a inquietude é compartilhada. "As coisas estão mudando, o Estado de Nova York tem sérios problemas orçamentários", destacou Phillip Bray, 56 anos, que trabalha no mercado de seguros.

"Eu sempre morei no Brooklyn ou no Bronx, mas talvez seja preciso pensar em me mudar", disse um segurança que preferiu não ter o nome divulgado.

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