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09/04/2010 - 10h36

Netanyahu cancela participação na cúpula nuclear em Washington

A inesperada decisão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de cancelar sua participação na cúpula sobre segurança nuclear prevista para o início da próxima semana, em Washington, coloca em evidência as reticências do Estado hebreu em dar explicações sobre seu programa nuclear.

Quando o presidente Barack Obama enviou os convites para essa conferência, o governo israelense viu-se diante de um dilema. Por um lado, Netanyahu queria participar para denunciar a ameaça nuclear iraniana e alertar contra o risco de que extremistas islâmica possam se dotar de uma bomba atômica, mas, por outro lado, membros do governo advertiram para o risco de que alguns países muçulmanos aproveitassem a ocasião para exigir Israel abrisse suas instalações nucleares a inspetores estrangeiros.

"O primeiro-ministro queria ir. Está muito comprometido com a agenda da conferência", afirmou um alto funcionário hebreu, que não quis se identificar.

Especialistas militares estimam que o Estado hebreu possui um arsenal com centenas de ogivas nucleares.

Como outros Estados nucleares, como Índia e Paquistão, Israel não firmou o Tratado de Não Proliferação, a fim de evitar as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU com sede em Viena.

Netanyahu será representado por seu vice-premier e ministro de Inteligência e Energia Atômica, Dan Meridor, confirmou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Mike Hammer.

Segundo Hammer, o governo israelense apenas informou a decisão de enviar Meridor à Cúpula, mas não detalhou os motivos da ausência de Netanyahu.

"Saudamos a participação do vice-premier Meridor na conferência. Israel é um aliado próximo e estamos desejosos de continuar a trabalhar sobre assuntos relacionados à segurança nacional", disse Hammer.

Israel tem um compromisso muito firme contra a proliferação nuclear na região e não hesita em tomar medidas extremas.

Em 1981, bombardeou um reator nuclear iraquiano e, recentemente, em 2007, atacou instalações aparentemente nucleares na Síria.

Israel não descarta, por outra parte, atacar as instalações nucleares do Irã que teoricamente produziriam armas atômicas.

Israel também teme as conseqüências de que as armas nucleares caiam nas mãos de grupos radicais que juraram destruir o Estado judeu.

"É um assunto muito grave. Se 'bombas sujas' caírem em mãos de terroristas, as consequências para a humanidade podem ser muito graves", afirmou Netanyahu.

A "bomba suja" é composta por materiais radioativos que geralmente têm um uso civil combinados com explosivos convencionais.

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