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09/04/2010 - 16h42

Sem esperança de sobreviventes, busca de corpos continua em Niterói

Cristiane Oliveira perdeu quase toda a família no deslizamento que soterrou cerca de 200 pessoas em Niterói na quarta-feira - e agora, com expressão tensa, espera apenas que os bombeiros, que trabalham noite e dia, possam recuperar os corpos de seus entes queridos para enterrá-los.

Cristiane tem 27 anos. Boa parte de sua família vivia na favela Morro do Bumba, que foi reduzida a uma cratera de lama e escombros após as chvas que desde segunda-feira já causaram mais de 180 mortes no estado do Rio de Janeiro.

A jovem perdeu a mãe, além de tios e primas. Ela e as duas filhas escaparam por pouco da morte.

"Eu cheguei do trabalho naquela hora. Tinha acabado de pegar as meninas na creche, e desci para a rua. Foi quando veio tudo abaixo", conta Cristiane, referindo-se à creche que foi destruída pela enxurrada de lama.

"Eu olho e penso: tá todo mundo aí embaixo. É muito triste", diz a jovem, enquanto observa o trabalho das equipes de busca.

Debaixo de forte chuva, iluminados apenas pela luz de meia dúzia de refletores, 90 homens do Corpo de Bombeiros reviram montanhas de lixo e lama em busca das vítimas do deslizamento de terra que varreu a comunidade do Morro do Bumba, em Niterói.

Quantos ainda estão embaixo dos escombros é uma incógnita - até agora, 25 foram retirados com vida, e 18 corpos resgatados. Moradores afirmam que haveria pelo menos 200 pessoas soterradas.

"É impossível fazer uma estimativa racional de quantas pessoas foram soterradas, porque não havia um mapeamento da área", explica Rui França, comandante do 12º batalhão da Polícia Militar de Niterói.

"Os moradores do morro que corriam risco em caso de novos deslizamentos foram todos retirados. Sessenta casas foram interditadas no entorno", informa o major Márcio Romano, subsecretário de Segurança e Defesa Civil da Prefeitura de Niterói, apontando para a cratera de cerca de 600 metros de comprimento que se formou com a descida da terra.

Apesar das precárias condições de trabalho, os bombeiros continuarão com as operações de resgate noite adentro. A retirada de entulho é constante, com oito retroescavadeiras operadas por técnicos da Defesa Civil e inúmeros caminhões da Prefeitura, que chegam vazios e saem carregados de destroços.

"Além da chuva, a falta de luz dificulta muito o trabalho. Mas o pior foi a grande quantidade de material que desceu com o deslizamento", indica José Paulo Miranda de Queiroz, subcomandante do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, que coordena as operações no Morro do Bumba.

As casas da comunidade foram construídas sobre um antigo depósito de lixo abandonado, coberto por uma camada de terra, o que torna a situação ainda mais frágil.

"O risco de novos deslizamentos é enorme, porque o terreno está extremamente encharcado. Estamos trabalhando com toda a cautela", diz Queiroz, que minutos antes consolava uma moradora em prantos, que chegara ao local em busca dos parentes, engolidos pelo desabamento.

Não há iluminação pública nas ruas próximas ao morro, e centenas de casas estão sem energia. A companhia elétrica local optou por cortar a luz para evitar explosões, pois foram detectados vários vazamentos de gás no local.

Segundo Norma Sueli Pacheco, presidente da associação de moradores do bairro, cerca de 2.000 residentes na região estão sem energia desde 07h00 da manhã de quinta-feira. A previsão é de que o fornecimento seja restabelecido em dois dias.

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