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10/04/2010 - 12h38

Rio já tem 214 mortos, em meio a críticas à permissão de construções de risco

O Estado do Rio de Janeiro já conta 214 mortos, vítimas das chuvas recentes, informou neste sábado o Corpo de Bombeiros, que ainda busca corpos de cerca de 200 pessoas soterradas, em meio a críticas à omissão das autoridades à construção de favelas em áreas de risco.

Os socorristas recuperaram dois novos corpos na noite de sexta-feira na favela Morro do Bumba, em Niterói, onde ocorreu o pior dos deslizamentos.

No local já foram restatados 29 corpos, enquanto se aguarda notícias sobre outras 200 pessoas, que poderia estar sob toneladas de lama e escombros.

Neste sábado pela manhã, sob um sol reluzente, os trabalhos de resgate prosseguiam em Niterói, a cidade fluminense mais afetada pela tragédia, com 134 mortos até o momento. A capital do Estado registra 60 mortos.

Os moradores querem, agora, explicações das autoridades sobre um fenômeno que se arrasta há décadas: a construção de habitações precárias em áreas de risco, permitida pelos governos, e considerada a principal causa da tragédia em Niterói.

A favela do Morro do Bumba cresceu sobre um velho depósito de lixo, compactado pelo tempo, sem maiores cuidados.

O geólogo Marcelo Motta, que participou de um estudo técnico sobre as causas do deslizamento, explicou à rede de televisão Globo News que "duas fissuras no terreno estiveram na origem" do problema.

As fissuras na estrutura da montanha onde foi depositado o lixo desencadearam um movimento em massa, empurrando os resíduos, já encharcados d'água, liberando, também, gás metano.

"O material sobre o qual foram construídas as casas é pouco sólido, deslocando-se facilmente", destacou o geólogo.

O governador do Estado, Sérgio Cabral, culpou na sexta-feira toda a sociedade por tragédias como a de Niterói.

"Fui criticado quando quis construir muros em algumas favelas para evitar que se expandissem. Os demagogos nos criticaram. E a demagogia mata", defendeu-se.

Na cidade do Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes assinou um decreto que autoriza a remoção à força de moradores que insistirem em permanecer em casas construídas em áreas de risco.

Agora, a ameaça paira sobre outro morro vizinho ao Bumba, também ocupado por uma favela: o Morro do Céu.

O lugar, que inicialmente funcionava como fazenda, começou a ser utilizado como depósito de lixo em 1983. É lar de centenas de pessoas que se mostram temerosas de que ocorra uma nova tragédia.

Lucia Pedrosa, uma moradora do local, contou à AFP que há alguns anos a prefeitura de Niterói afirmou que desalojaria os ocupantes, indenizando-os, mas isso não ocorreu. "Vieram avaliar. Apresentamos todos os documentos que possuíamos ... mas até agora nada", desabafou.

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